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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Tema de redação: Coaching.

TEXTO 1:

Vivemos em uma sociedade que busca fórmulas mágicas, que vão desde o emagrecimento a qualquer outro objetivo. Um exemplo prático é desenvolver a competência de liderança em quem não tem o mínimo perfil para tal. Nesse cenário, a figura do coach aparece como mágico, e estes são especialistas em diversas áreas. Mas como distinguir um profissional preparado de um despreparado?
Para a professora dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), executive coach, mentora de carreira e coordenadora acadêmica do curso de Analista e Capacitação em RH em nível Brasil, Anna Cherubina Scofano, alguns coaches, sem a devida formação e um quantitativo mínimo de clientes e horas de atendimentos, simplesmente se aproveitam de uma onda de modismo do termo coaching, de forma insipiente e por vezes até irresponsável. Segundo ela, isto representa um risco para os desavisados na contratação deste tipo de serviço.
“Alguns, ditos coaches, se utilizam de conhecimentos terapêuticos, outros do marketing pessoal, de retórica, holístico e, principalmente, das fragilidades e necessidades humanas. No mercado qualquer pessoa pode se dizer e se diz coach“, alerta Anna Cherubina Scofano.
A professora esclarece, no entanto, que o coaching é um processo voltado, especificamente, ao desenvolvimento de competências. Que não se trata de um processo de aconselhamento, tampouco de autoajuda. Muitas pessoas confundem, chegando a chamá-lo até de consultoria, quando esta é voltada a processos organizacionais ou de negócios. “Ambos são completamente distintos em sua aplicação, objetivos, meios e fins”, explica Anna Cherubina.
A professora da FGV ressalta que um coach despreparado pode prejudicar pessoas ludibriando-as, ou mesmo, prometendo aquilo que não está apto a entregar. De acordo com ela, atendendo como coaches, esses profissionais lesam seus clientes, quando na verdade eles, em grande parte, precisam de outro tipo de apoio, seja de um psicólogo, psiquiatra, mentor, enfim, algo que não esteja contido no processo do coaching.
“O fato de mantê-los como clientes, em detrimento de orientá-los na busca de outro tipo de serviço profissional, pode representar algum tipo de prejuízo considerável ao indivíduo. As principais credenciais de um coach são suas referências de outros clientes e, as experiências com uma quantidade mínima de horas/atendimento realizadas. Quem atua na área deve ter a formação como coach, em uma Escola de coaching, credenciada pela ICF (International Coach Federation)”, explica a especialista.

TEXTO 2:

Uma proposta popular em tramitação no Senado pode colocar em cheque o futuro do coaching no Brasil: a possível criminalização da profissão. A sugestão causou mal-estar entre os profissionais do setor de recursos humanos e treinamentos pessoais e dividiu a opinião dos especialistas da área. Há um grupo que critica a proposta e outro que defende a regulamentação, com o objetivo de acabar com os charlatões do mercado.
De autoria pelo sergipano William Menezes, a sugestão foi enviada pela plataforma de participação legislativa e-Cidadania em abril último. Como recebeu mais de 20 mil assinaturas em oito dias, foi encaminhada para a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), presidida pelo senador Paulo Paim (PT/RS).
“Se tornada lei, não permitirá o charlatanismo de muitos autointitulados formados sem diploma válido. Não permitindo propagandas enganosas como ‘reprogramação do DNA’ e ‘cura quântica’, que desrespeitam o trabalho científico e metódico de terapeutas e outros profissionais das mais variadas áreas”, diz o autor da proposta.
De acordo com a International Coach Federation (ICF), a atividade do coaching é exercida atualmente por 70 mil profissionais no Brasil. Na teoria, qualquer pessoa pode se tornar um coach, desde que domine os conhecimentos da área. Entre as tarefas do coach, está ajudar os clientes a identificar limites, superar desafios e desenvolver seu potencial.
Coach há oito anos, Bárbara Nogueira, conselheira de carreira e headhunter da Prime Talent, afirma que a discussão é prudente, mas acredita que a profissão deveria ser regulamentada, não criminalizada. “Banalizaram o termo coach. Hoje, há coaching de exercícios físicos, de relacionamento, de felicidade, entre outros. A profissão é mais profunda que isso, porque ajuda a pessoa a atingir objetivos claros de vida”, diz.

TEXTO 3:

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A banalização do coaching”.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Acentuação - aula teórica

Você precisa saber que:
1- Cada palavra só tem uma sílaba tônica (forte);
2- As sílabas pronunciadas com menor intensidade são chamadas de átonas;
3- Ditongo é o encontro de dois elementos vocálicos na mesma sílaba: his - tó - ria
4- Hiato é o encontro de dois elementos vocálicos, mas em sílabas diferentes: sa-ú-de
5- Tritongo é o encontro de três vogais na mesma sílaba: Pa – ra -guai
6- As palavras classificam-se, quanto ao número de sílabas, em: monossílaba, dissílaba, trissílaba e polissílaba.

Classificação das Palavras Quanto à Tonicidade:

MONOSSÍLABA TÔNICA → pá, pé (uma sílaba pronunciada fortemente)
OXÍTONA → sofá - café (última sílaba tônica)
PAROXÍTONA → série – fácil (penúltima sílaba tônica)
PROPAROXÍTONA → ônibus – tônica (antepenúltima sílaba tônica)

Regras Gerais

a) acentuamos as monossílabas terminadas em:
A (S) → pá, fá, lá
E(S) → pé – fé
O(S)→ nós – vós – dó
DITONGO ABERTO → céu – dói -
Atenção:
As palavras monossílabas tônicas seguidas de pronomes obedecem às mesmas regras:
EX: dá-lo / vê-lo / lê-las

b) acentuamos as oxítonas terminadas em:
A (S) → sofá - Amapá - Boitatá
E(S) → você – Taubaté – sapé
O(S) → carijós – bisavô – cipó

DITONGO ABERTO (EU, EI, OI )→ chapéu – coronéis - corrói -
EM, ENS → também- além - armazéns – reféns
Atenção:
1- As palavras oxítonas seguidas de pronomes obedecem às mesmas regras:
EX: acordá-lo / escrevê-lo / lavá-las
2- As oxítonas terminadas em i e u, precedidas de ditongo, serão acentuadas:
EX: Piauí, tuiuiú

c) acentuamos as paroxítonas terminadas em:
L .........................Fácil Difícil Útil
I(is)...................... Íris Lápis Júri
N...........................Pólen Hífen
U (us, um, uns).....Vírus Álbuns Álbuns
R...........................Caráter Revólver
X...........................Tórax Látex
ÃO (aos, ã, ãs)...... Órfão Órfãos Ímã
PS.......................... Bíceps Fórceps
EI............................ Vôlei Pônei
DITONGO CRESCENTE......... Ciências Série

Atenção: Os ditongos abertos tônicos das paroxítonas não são acentuados, de acordo com o NOVO Acordo Ortográfico.
Exemplos: I- dei-a / as-sem-blei-a / ge-lei-a


d) acentuamos todas as proparoxítonas
Árvore – pêssego – índice – termômetro


Regras Complementares
a) Segunda vogal do hiato → I – U
Acentuamos os I e U que formam hiatos, sozinhos ou acompanhados de S.
Ex: dis- tra- í- do / sa- ú- de / ba – la - ús - tre
Atenção: Não são acentuados os I e U:
⇒ Quando seguidos de NH: ra-i-nha / ba-i-nha
⇒ Precedidos de ditongo: bai – u - ca

b) Acento diferencial
1- PÔDE (pretérito perfeito do indicativo) X PODE (presente do indicativo)
Eu fiquei incomodada, por isso ele não pôde ficar com o livro. (Pretérito)
Eu não me importo, ele pode ficar com o livro. (Presente)

2- Pôr (verbo) x por (preposição)
Pôr (verbo) Você deve PÔR os livros na estante.
Por (preposição) Você veio POR qual caminho?

3- TER, VIR e derivados:
Singular Plural
Ele tem duas casas Eles têm duas casa
Ele vem de São Paulo Eles vêm de São Paulo
Ele mantém a palavra. Eles mantêm a palavra.

Não se acentuam:
1- U tônico precedido de g ou q e seguido de e ou i, com ou sem s:
Ex: argui, arguis, averigue, averigues, oblique, obliques etc.
2- DITONGOS -EI ou -OI da sílaba tônica das palavras paroxítonas:
assembleia, boleia, ideia, comboio, heroico, jiboia, paranoico etc.
3- O PRIMEIRO E DO HIATO EEM dos verbos crer, dar, ler e ver.
creem, deem, leem, veem - e de seus compostos - descreem, desdeem, releem,
reveem etc.
4- -I e –U TÔNICOS precedidos de ditongo:
baiuca, feiura, bocaiuva etc.
5- O PRIMEIRO O DO HIATO OO, seguido ou não de -s:
abençoo, enjoo, coroo, perdoo, voo (de voar).


1. (FGV-RJ) Assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretamente grafadas:
a) raiz, raízes, sai, apóio, Grajau
b) carretéis, funis, índio, hifens, atrás
c) buriti, ápto, âmbar, dificil, almoço
d) órfão, afável, cândido, caráter, Cristovão
e) chapéu, rainha, tatu, fossil, conteúdo
GABARITO: 1.B.

Crase - Aula teórica

Crase

A crase é a fusão da preposição a com os artigos a ou as, representada pelo acento grave. Ou seja, é a junção de vogais idênticas. Tanto a preposição, quanto o artigo feminino têm o mesmo som vocálico, o que resulta na necessidade do acento.
Portanto, para saber se realmente ocorre a aplicação deste acento, é importante verificar se a palavra que antecede do artigo a pede a preposição a.

ACESSO À REDE WIFI



Observe a imagem ao lado. Quem tem acesso, tem acesso a algum lugar ou a alguma coisa. Logo, o substantivo acesso rege a preposição a.






O mesmo ocorre em:
Cheguei à escola e estava fechada.
em que chegar rege a preposição a, e escola antecede de artigo feminino a.

Também ocorre crase em:

1. Nas locuções femininas:
Às vezes, me sinto triste.
Vire à esquerda e depois à direita.
Volto à noite.
Saíram às pressas.
Deitaram à sombra.
Sairemos às dez horas.

2. Nas expressões à moda (de), à maneira (de), mesmo que subtendidas.
Escreve num estilo à Machado de Assis. (à moda de Machado de Assis).
Coemos um filé à moda da casa, e um arroz à grega. (à maneira grega).

3. Em pronomes demonstrativos, tais como aquele(s), aquela(s), aquilo, desde que haja fusão com artigo a.
Aspiro àquela vaga. (Aspiro a aquela vaga).
Responda àquele formulário. (Responda a aquele formulário).

4. Antes de nomes próprios femininos.
Entreguei à Manoela.
Vou à China nas próximas férias.

Dica!!!
Para saber se ocorre a crase, tente substituir a palavra feminina que ocorre depois do a por uma palavra masculina correspondente. Caso apareça ao ou aos diante da palavra masculina, realmente há crase.

Não se usa crase em:

1. Antes de verbos:
Os meninos começaram a gritar.
Tenho muitas coisas a fazer.

2. Antes de substantivo masculino:
Não gosto de escrever a lápis.
Não ouse contar a ninguém.
Comida a quilo é mais cara.

Questões: 
1. (ITA) Analisando as sentenças:
I. A vista disso, devemos tomar sérias medidas.
II. Não fale tal coisa as outras.
III. Dia a dia a empresa foi crescendo.
IV. Não ligo aquilo que me disse.
Podemos deduzir que:
a) As sentenças III e IV não têm crase.
b) Todas as sentenças têm crase.
c) Apenas a sentença IV não tem crase.
d) Apenas a sentença III não tem crase.
e) Nenhuma sentença tem crase.

2. (FUVEST) Indique a forma que não será utilizada para completar a frase seguinte:
“Maria pediu ......psicóloga que .....ajudasse.....resolver o problema que.....muito.....afligia.”
a) pronome pessoal feminino. (a)
b) contração da preposição a e do artigo feminino a. (à)
c) artigo feminino. (a)
d) preposição. (a)
e) verbo haver indicando tempo. (há)

3. (ESAN) Das frases abaixo, apenas uma está correta, quanto à crase. Assinale-a:
a) Devemos aliar a teoria à prática.
b) Ele parecia entregue à tristes cogitações.
c) Daqui à duas semanas ele estará de volta.
d) Puseram-se à discutir em voz alta.
e) Dia à dia, a empresa foi crescendo.

GABARITO: 1. D, 2.C, 3.A.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Morfologia (Advérbio) - Aula teórica

Advérbio

Palavra que, essencialmente, modifica o verbo, exprimindo determinada circunstância
(tempo, modo, negação, intensidade etc.). Alguns advérbios também modificam adjetivos ou advérbios.

Chegamos cedo.
Choraram muito.
Eram meninos muito bonitos.
Nós chegaremos bastante tarde.

O que é  uma locução adverbial
É um conjunto de palavras, geralmente formado por preposição mais substantivo, adjetivo ou advérbio: à direita; à esquerda; frente a frente; de repente;

Classificação dos advérbios

Circunstâncias:
- afirmação: sim, certamente, com certeza
- dúvida: talvez, possivelmente, quiçá
- intensidade: muito, pouco, bastante, demais, menos, tão
- lugar: aqui, ali, aí, cá, perto, abaixo, acima, adiante
- tempo: agora, nunca, de repente, amanhã
- modo: bem, mal, depressa, devagar, alegremente
- negação: não, tampouco, de maneira alguma

* Advérbios interrogativos (indicam circunstâncias de causa, lugar, tempo e modo)
Por que você não muda sua rotina?
Onde está a verdade?
Quando seu filho retorna?
Como você está?

Flexão de grau

- Comparativo:

a) de igualdade: tão quanto / como
Falava tão bem como o professor.

b) de superioridade: mais que / do que
Ele chegou mais cedo que o colega.

c) de inferioridade: menos que / do que
Eu caminhava menos apressadamente que minha filha.

- Superlativo:
a) sintético: Chegamos cedíssimo.
b) analítico: Chegamos muito cedo.

Emprego do advérbio
- Quando se coordenam vários advérbios terminados em –mente, pode-se usar esse sufixo apenas no último: Estava dormindo calma, tranquila, serenamente.
- Antes de particípios não se devem usar as formas melhor, pior; e sim as formas mais bem, mais mal:
Aquelas candidatas estavam mais bem preparadas que as outras.
- podem ser acrescidos os sufixos –inho e –zinho, mas o sentido intensifica o advérbio.
Chegamos cedinho. (muito cedo)

Palavras e locuções denotativas: São palavras que se assemelham a advérbios, não pertencem a nenhuma classe de palavras, de acordo com a NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira):
- inclusão: inclusive, também;
- exclusão: apenas, salvo, exceto;
- explicação: isto é, ou seja, por exemplo, a saber;
- situação; afinal, então.

Para estudar mais:

LIVRO:
ILARI, Rodolfo. Introdução a estudo do léxico: brincando com as palavras. São Paulo: Contexto, 2002.

Questão
Questão de vestibular: UNESP – 2015
Observando as seguintes passagens do texto apresentado, marque a alternativa em que as duas palavras em negrito são utilizadas como advérbios:
(A) “não correr o risco de ser surpreendido”.
(B) “finge possuir energias que realmente não tem”.
(C) “deve-se fazê-lo decidida e folgadamente”.
(D) “nunca levar a cabeça para trás”.
(E) “forte no restante da prova, sempre procurando dosar”.

Resposta: C

Divirta-se...

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Morfologia (Artigo e numeral) - Aula teórica

Artigo e Numeral

Família
Três meninos e duas meninas
sendo uma ainda de colo.
A cozinheira preta, a copeira mulata,
o papagaio, o gato, o cachorro,
as galinhas gordas no palmo de horta
e a mulher que trata de tudo. [...]
Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Carlos Drummond de Andrade: obra completa. Rio de
Janeiro: José Aguilar, 1967. p. 69.

Essa é a primeira estrofe do poema “Família”, de Drummond, no qual ele expressa o retrato de uma época, de uma sociedade, inseridas em um contexto discursivo. Para isso, o eu lírico utiliza essencialmente palavras determinantes para os substantivos: o gato, as galinhas gordas, a mulher, pois ele está especificando, individualizando o substantivo. Essas palavras são os ARTIGOS.
Há também a determinação que indica a quantidade, as quais são classificadas como NUMERAIS, “Três meninos, duas meninas”.
Tanto o artigo quanto o numeral são classes de palavras que se relacionam com o substantivo.




UM – numeral e UM – artigo 
O telefone do escritório e do banco são idênticos, com exceção de um algarismo.
Se for possível acrescentar as palavras SÓ, ÚNICO depois do um, será numeral. 
Impossível esquecer um passeio de barco em Veneza. = Artigo indefinido.


Questões

1. (PUC-RJ) Em qual frase há erro quanto ao uso do artigo?
a) Nem todas opiniões são valiosas.
b) Disse-me que conhece todo o Brasil.
c) Leu todos os dez romances do escritor.
d) Andou por todo Portugal.
e) Todas cincos, menos uma estão corretas.
2. (UFAM) Identifique o item em que não é correto ler o numeral como vem indicado entre parênteses:
a) Pode-se dizer que no século IX (nono) o português já existia como língua falada.
b) Pigmalião reside na casa 22 (vinte e duas) do antigo Beco do Saco do Alferes, em Aparecida.
c) Abram o livro, por favor, na página 201 (duzentos e um).
d) O que procuras está no art. 10 (dez) do código que tens aí a mão.
e) O Papa Pio X (décimo), cuja morte teria sido apressada com o advento da Primeira Guerra Mundial, foi canonizado em 1954
GABARITO: 1.A, 2.B.

Morfologia (Pronomes) - Aula teórica

Pronomes

Veja esta tirinha:


Imagem relacionada
Fonte: VERÍSSIMO, L. F. As cobras em: se Deus existe que eu seja atingido por um raio. Porto Alegre:L&PM, 1997.

Esse texto faz parte de uma das questões do Enem de 2011. O diálogo entre as cobras aborda, de forma humorada, o uso do pronome. Mas, cremos que não precisamos abordá-lo, basta entender seu uso adequado de acordo com a situação de comunicação.
A questão era esta: O humor da tira decorre da reação de uma das cobras com relação ao uso de pronome pessoal reto, em vez de pronome oblíquo. De acordo com a norma-padrão da língua, esse uso é inadequado, pois
A) contraria o uso previsto para o registro oral da língua.
B) contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e objeto.
C) gera inadequação na concordância com o verbo.
D) gera ambiguidade na leitura do texto.
E) apresenta dupla marcação de sujeito.

É comum utilizarmos as expressões: “Vamos arrasar eles”, “Vou buscar elas na escola” ou “Vou amar ela para sempre”. Porém, não é adequado, de acordo com a norma culta, usar o pronome dessa maneira, pois cada pronome tem sua função para exercer.
Na questão, temos o emprego do pronome “eles”, mas a função é de complemento do verbo e não a de sujeito. Portanto, a utilização adequada seria a do pronome oblíquo, como aparece no primeiro quadrinho.

Preste atenção no conceito, na classificação e nos exemplos:
PRONOME => é a palavra que substitui ou acompanha o substantivo, determinando a
significação.


Pessoas gramaticais: 

1ª pessoa – pessoa que fala ou escreve
2ª pessoa – pessoa que ouve ou lê
3ª pessoa – pessoa (ou coisa) a respeito da qual a 1ª fala ou escreve


1. Pronomes pessoais: substituem as pessoas gramaticais; podem exercer as funções sintáticas de sujeito ou complemento.


Fique atento!
a) eu e tu => só exercem função de sujeito: O professor trouxe a prova para eu revisar.
mim e ti => só exercem a função de complemento: O professor trouxe a prova para mim.



b) ele / ela (s) => são pronomes oblíquos, quando precedidos de preposição: Você nunca concordou com ele.
c) uniformidade no tratamento:

Quero falar contigo para te contar a novidade.

Quero falar com você para lhe contar a novidade.


d) Os pronomes de tratamento fazem parte dos pronomes pessoais, já que são palavras ou expressões utilizadas para as pessoas com quem se fala. São, portanto, pronomes de 2ª pessoa, EMBORA, sejam empregados com verbo na 3ª pessoa.
O pronome VOCÊ é usado em situações informais, substituindo o pronome TU.

2- Pronomes Possessivos: referem-se a um substantivo para indicar uma ideia de posse em relação às três pessoas gramaticais.


Preste atenção:

a) Os possessivos seu, sua, seus e suas podem provocar ambiguidade. É necessário deixar a informação do referente clara no texto.
Ana, diga a João que aceito seu convite. (Convite de quem: de Ana ou de João?)
Ana, diga a João que aceito o convite dele.

b) Os possessivos seu, sua, seus e suas são utilizados nos pronomes de tratamento:
Vossa Senhoria tem a intenção de mudar seus planos?

3- Pronomes demonstrativos
Observe o texto a seguir, que foi uma das questões no Enem de 2014.

Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal — eu não fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção. Crônica algumas vezes também é feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias mesmo o escritor mais escolado não está lá grande coisa. Tem os que mostram sua cara escrevendo para reclamar: moderna demais, antiquada demais.
Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que parecem passar despercebidos, outros rendem um montão de recados: “Você escreveu exatamente o que eu sinto”, “Isso é exatamente o que falo com meus pacientes”, “É isso que digo para meus pais”, “Comentei com minha namorada”. Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: é como me botarem no colo — também eu preciso. Na verdade, nunca fui tão posta no colo por leitores como na janela do jornal. De modo que está sendo ótima, essa brincadeira séria, com alguns textos que iam acabar neste livro, outros espalhados por aí. Porque eu levo a sério ser sério … mesmo quando parece que estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como escrevi há muitos anos e continua sendo a minha verdade: palavras são meu jeito mais secreto de calar. LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.

Algumas palavras estão destacadas, entre elas, NISSO e ESSA. Elas desempenham um papel fundamental para o entendimento do texto, pois retomam e articulam ideias.
Veja a questão e tente respondê-la: Os textos fazem uso constante de recursos que permitem a articulação entre suas partes. Quanto à construção do fragmento, o elemento
a) “nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crônica de jornal”.
b) “assim” é uma paráfrase de “é como me botarem no colo”.
c) “isso” remete a “escondia em poesia e ficção”.
d) “alguns” antecipa a informação “É isso que digo para meus pais”.
e) “essa” recupera a informação anterior “janela do jornal”.
A resposta correta é a letra A, pois o pronome demonstrativo ISSO, relaciona a informação a seguir.

Pois então, os pronomes demonstrativos indicam, mostram o lugar em que um ser, um objeto ou uma informação se encontra, relativamente a cada uma das três pessoas gramaticais. Isso ocorre no espaço, no tempo e no contexto discursivo.



4- Pronomes indefinidos: referem-se à 3ª pessoa de modo vago, geral, indeterminado.


Principais empregos:

a) Algum, alguns, alguma, algumas:
- ANTES do substantivo, valor afirmativo: Algum amigo irá ajudá-lo.
- DEPOIS do substantivo, valor negativo: Amigo algum irá ajudá-lo. (nenhum amigo)

b) Todo, toda, todos, todas:
- Plural, indicam totalidade: Todos os alunos fizeram o vestibular.
- Singular, SEM ARTIGO, sentido de “qualquer”: Toda cidade deve ser bem governada.
- singular, COM ARTIGO, sentido de “inteiro” (valor adjetivo): Todo o país deve ser bem cuidado.
- singular, depois do substantivo, sentido de “inteiro” (valor adjetivo): A cidade toda deve ser bem cuidada.


5- Pronomes interrogativos: as palavras QUE, QUEM, QUAL e QUANTO empregadas na formulação de perguntas (diretas ou indiretas)
Quanto tempo você ficará em Londres?
Diga-me quanto tempo você ficará em Londres.


6- Pronomes relativos são aqueles que se referem a termos já expressos e, ao mesmo tempo, introduzem uma oração dependente.

o/a qual, os/as quais, cujo(s), cuja(s), quanto(s), quanta(s) / que, quem, onde/aonde

• => QUE: retoma palavras que nomeiam pessoas ou coisas: A menina que chegou é nossa colega. = a qual

• => QUEM: SÓ é usado para retomar palavras que designam pessoas: Foi José quem pagou a conta.

• => CUJO, CUJA, CUJOS, CUJAS: usados entre dois substantivos, estabelecendo ideia de POSSE: Esse é o jornalista CUJAS críticas irritaram o prefeito.

*Não há a presença do artigo depois do pronome cujo/cujos/cuja/cujas, pois ele é variável em gênero e número.

=> ONDE / AONDE: SEMPRE indicam LUGAR
ONDE: (lugar em que) Conheci a cidade onde você nasceu.
AONDE: (lugar a que / movimento) Conheci a cidade aonde você vai passar as férias.

Questões
1. (FUVEST-SP) Assinale a alternativa onde o pronome pessoal está empregado corretamente:
a) Este é um problema para mim resolver.
b) Entre eu e tu não há mais nada.
c) A questão deve ser resolvida por eu e você.
d) Para mim, viajar de avião é um suplício.
e) Quando voltei a si, não sabia onde me encontrava.

2. (MACK) A única frase em que há erro no emprego do pronome oblíquo é:
a) Eu o conheço muito bem.
b) Devemos preveni-lo do perigo.
c) Faltava-lhe experiência.
d) A mãe amava-a muito.
e) Farei tudo para livrar-lhe desta situação.

3. (AFA) Analise o slogan de um comercial, abaixo transcrito.
“Vem pra Caixa você também”. Em relação ao emprego do verbo “vir”, é correto afirmar que está
conjugado:
a) corretamente no presente do indicativo
b) corretamente no imperativo afirmativo
c) incorretamente no imperativo afirmativo
d) incorretamente no presente do indicativo

GABARITO: 1.D, 2.E, 3.C.



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Morfologia (Verbos e Regência verbal) - Aula teórica


Verbos e regência verbal




















Esse texto retirado da prova do ENEM de 2013, tem o intuito de avaliar a compreensão entre o texto verbal e não verbal. O cartaz aborda a questão do aquecimento global. No entanto, a estrutura adotada no texto verbal retoma a conjugação verbal do verbo derreter, ou seja, referindo-se às AÇÕES dos
seres humanos, em relação ao meio ambiente. É a partir desse conceito, que iniciaremos os
estudos sobre Verbos.

Ao observar o texto, você identificou aspectos fundamentais para compreender o conceito de verbo: “é a palavra que exprime ação, estado, mudança de estado, fenômeno natural e outros processos, flexionando-se em pessoa, número, modo, tempo e voz.” (FARACO; MOURA, 1998, p. 324).



 Modos verbais



Formas nominais



Nos Vestibulares...
Analise esta questão do vestibular da VUNESP (2014). A partir do texto de José Lins do Rego (1901-1957), foi pedido ao candidato, na questão 2, para que identificasse qual tempo verbal era  predominante no texto. Isso é importante em uma narrativa, para que o leitor percorra o caminho da leitura de forma clara e segura.

Água-Mãe
Jogava com toda a alma, não podia compreender como um jogador se encostava, não se entusiasmava
com a bola nos pés. Atirava-se, não temia a violência e com a sua agilidade espantosa, fugia das entradas, dos pontapés. Quando aquele back1, num jogo de subúrbio, atirou-se contra ele, recuou para derrubá-lo, e com tamanha sorte que o bruto se estendeu no chão, como um fardo. E foi assim crescendo a sua fama. Aos poucos se foi adaptando ao novo Joca que se formara nos campos do Rio. Dormia no clube, mas a sua vida era cada vez mais agitada.
Onde quer que estivesse, era reconhecido e aplaudido. Os garçons não queriam cobrar as despesas que ele fazia e até mesmo nos ônibus, quando ia descer, o motorista lhe dizia sempre: — Joca, você aqui não paga. [...] (Água-Mãe, 1974.)
Questão 2: No primeiro parágrafo, predominam verbos empregados no
(A) pretérito perfeito do modo indicativo.
(B) pretérito imperfeito do modo indicativo.
(C) presente do modo indicativo.
(D) presente do modo subjuntivo.
(E) pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo.
Resposta: B
Você identificou a resposta adequada? Sabe explicar por que esse tempo verbal foi utilizado?

Fique Atento:
- derivados de TER e PÔR: Eu mantive minha palavra. / O policial deteve o suspeito. / Se o fiscal retiver a prova. / Os conflitos serão resolvidos, se nós impusermos nossa decisão.

- VER X VIER: Quando você vir (VER) nosso amigo, ajude-o.
Quando você vier (VIER) à escola, será bem recebido.

- verbos de particípio irregular: havia dito / escrito / feito / posto / aberto

- verbos abundantes: SER e ESTAR = O convite foi aceito pelo professor.

TER e HAVER = O professor havia aceitado o convite.

* Com os verbos GANHAR, GASTAR e PAGAR: Utiliza-se a forma irregular: ganho, gasto
e pago.

Regência Verbal
Você já fez esta pergunta para alguém: Fulano(a), quer namorar comigo?
Ou já usou a expressão: Assisti o jogo no Itaquera...
Sabia que essas formas de usar o verbo e complementos mudam o sentido da frase? Pois é...
Você estava no estádio prestando assistência?

A regência verbal é a maneira de o verbo relacionar-se com seus complementos, podendo até, conforme sua regência, sofrer alteração de sentido. Para estudar este conteúdo, é importante que você relembre a transitividade verbal (VTD – verbo transitivo direto; VTI – verbo transitivo indireto; VTDI – verbo transitivo direto e indireto; VL – verbo de ligação).

Como são muitos verbos, é difícil saber a regência de todos eles, por isso fica a dica: sempre consulte um bom dicionário para verificar o sentido que você quer dar à palavra. Mas seguem alguns exemplos:
Resultado de imagem para lista de regência verbal
Para estudar mais:
DICIONÁRIOS:
HOUAISS, Antonio; VILLAR, Mauro de S. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa: elaborado no Instituto Antonio Houaiss de Lexicografia e Banco de
Dados da Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.
LUFT, Celso P. Dicionário prático de regência verbal. São Paulo: Ática, 2008. SITES:
<http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/>. Acesso em: 7 jan. 2016.
<http://www.pucrs.br/manualred/regverbal.php>. Acesso em: 7 jan. 2016.


Questões

1. (PUC-RS) Alguns demonstram verdadeira aversão ______ exames, porque nunca se empenharam o suficiente ____ utilização do tempo ____ dispunham para o estudo.
a) com, pela, de que. b) por, com, que. c) e, na, que. d) com, na, que. e) a, na, de que.

2. (UNICAMP - Adaptada) “Gentil de Araújo, motorista do caminhão que parou o avião na Marginal
do Rio Tietê, há 20 anos trabalha nas estradas do país dirigindo caminhões para transportadoras. “A
gente vê de tudo. Já vi um barco cair de uma carreta e amassar um Fusca. Só faltava ter visto um avião
bater em meu caminhão”.
a) parou o avião na marginal
b) dirigindo caminhões
c) a gente vê de tudo
d) amassar um fusca
e) cair de uma carreta

3. (FGV – SP) Leia o texto: “O Programa Mulheres está mudando. Novo cenário, novos apresentadores, muito charme, mais informação, moda, comportamento e prestação de serviços. Assista a revista eletrônica feminina que é a referência no gênero na TV”.
O verbo assistir, empregado em linguagem coloquial, está em desacordo com a norma gramatical.
a) Reescreva o último período de acordo com a norma.
b) Justifique a correção.

GABARITO: 1.E, 2.C, 3. a) Assista à revista. b) o verbo assistir rege preposição a.








Gramática, para quê? - Aula teórica

 Gramática, para quê?


Você já deve ter lido expressões como essas por aí... Provavelmente, entendeu a mensagem de todos os anúncios, não é mesmo? Essa compreensão deve-se ao fato de utilizarmos um mesmo código (Língua Portuguesa), instrumento de comunicação entre um emissor e um receptor. Mas o que acontece quando não utilizamos adequadamente esse código? Todos compreenderiam a mensagem facilmente?
O último anúncio faz uma oferta imperdível, no entanto, não era essa a informação que o anunciante desejava transmitir exatamente. O caso foi parar na delegacia!1 A falta de domínio do código prejudica a comunicação, causando transtornos desnecessários.
É imprescindível reconhecermos que a linguagem é, “ao mesmo tempo, um elemento da cultura e a condição fundamental para que exista a cultura.” (FARACO; MOURA, 1998, p. 17).
Assim, para utilizarmos a linguagem, as comunidades adotaram um código específico, a LÍNGUA, como expressão verbal (oral e escrita) da sua maneira de viver em sociedade e transmitir sua cultura.

Há diferenças entre a língua falada e a língua escrita, pois existem diversas situações de comunicação formais ou informais que utilizamos diariamente.
Entretanto, o registro da língua não pode ser feito de qualquer maneira, senão a comunicação estaria comprometida. Foi o que aconteceu no exemplo do anúncio do chip para celular.
Para evitar essa “bagunça” ou “colocar ordem nas coisas”, a GRAMÁTICA NORMATIVA estabelece regras a serem obedecidas por todos aqueles que querem falar e escrever corretamente.

Para que estudar gramática?
• para tornar os usuários da língua competentes e possam empregá-la em várias situações de comunicação;
• para conhecer a língua sem si, sua forma e seu funcionamento;
• para ampliar a capacidade de análise e reflexão;
(Poderíamos, ainda, mencionar a importância das redações nos vestibulares e no Enem, mas esse fato vocês já sabem!)
Além desses argumentos, é importante lembrar alguns conceitos:
• noção de CERTO ou ERRADO: Há uma valorização da linguagem culta, certamente isso ocorre pois há um ideal linguístico; porém, as variações da língua são intrínsecas a ela, ocorrem devido à necessidade de uma comunidade linguística.
Então, ocorrem DESVIOS em relação à norma culta; se houve entendimento linguístico, houve comunicação. O essencial é a ADEQUAÇÃO linguística.

Questão 116 – ENEM 2014
Só há uma saída para a escola se ela quiser ser mais bem-sucedida: aceitar a mudança da língua como
um fato. Isso deve significar que a escola deve aceitar qualquer forma de língua em suas atividades
escritas? Não deve mais corrigir? Não!
Há outra dimensão a ser considerada: de fato, no mundo real da escrita, não existe apenas um português correto, que valeria para todas as ocasiões: o estilo dos contratos não é o mesmo dos manuais de instrução; o dos juízes do Supremo não é o mesmo dos cordelistas; o dos editoriais dos jornais não é o mesmo dos cadernos de cultura dos mesmos jornais. Ou dos de seus colunistas.
(POSSENTI, S. Gramática na cabeça. Língua Portuguesa, ano 5, n. 67, maio 2011 – adaptado).
Sírio Possenti defende a tese de que não existe um único “português correto”. Assim sendo, o domínio da língua portuguesa implica, entre outras coisas, saber
(A) descartar as marcas de informalidade do texto.
(B) reservar o emprego da norma padrão aos textos de circulação ampla.
(C) moldar a norma padrão do português pela linguagem do discurso jornalístico.
(D) adequar as formas da língua a diferentes tipos de texto e contexto.
(E) desprezar as formas da língua previstas pelas gramáticas e manuais divulgados pela escola.
Resposta oficial: D => palavra-chave: Adequação

Variações Linguísticas
• variedade padrão: gramática normativa

• variedada não padrão: coloquial / popular

Alguns autores (CUNHA; CINTRA, 2013) apresentam a seguinte classificação:
a) Variações geográficas (diatópicas): falares regionais
b) Variações históricas: mudanças na língua em determinada época
c) Variações socioculturais (diastráticas): particularidade de uma população ou grupo social
“Na língua existe, pois, ao lado da força centrífuga de inovação, a força centrípeta da conservação, que, contrarregrando a primeira, garante a superior unidade de um idioma como o português, falado por povos que se distribuem pelos cinco continentes.”(CUNHA; CINTRA, 2013, p. 4).

Questões

Questão 100 - ENEM 2014
Óia eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo pra xaxar
Vou mostrar pr’esses cabras
Que eu ainda dou no couro
Isso é um desaforo
Que eu não posso levar
Que eu aqui de novo cantando
Que eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo mostrando
Como se deve xaxar.
Vem cá morena linda
Vestida de chita
Você é a mais bonita
Desse meu lugar
Vai, chama Maria, chama Luzia
Vai, chama Zabé, chama Raque
Diz que tou aqui com alegria.
(BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em: <www.luizluagonzaga.mus.br >. Acesso em: 5
maio 2013)
A letra da canção de Antônio Barros manifesta aspectos do repertório linguístico e cultural do Brasil.
O verso que singulariza uma forma do falar popular regional é
(A) “Isso é um desaforo”
(B) “Diz que eu tou aqui com alegria”
(C) “Vou mostrar pr’esses cabras”
(D) “Vai, chama Maria, chama Luzia”
(E) “Vem cá, morena linda, vestida de chita”
A resposta C indica uma expressão típica de algumas regiões do país.

Questão 128 – ENEM 2014
Em bom português
No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas secas. Não é somente pela gíria que a gente é
apanhada (aliás, não se usa mais a primeira pessoa, tanto do singular como do plural: tudo é “a gente”).
A própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso.
Minha amiga Lila, que vive descobrindo essas coisas, chamou minha atenção para os que falam assim:
– Assisti a uma fita de cinema com um artista que representa muito bem.
Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não saber dizer que viram um filme que trabalha muito
bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à praia, vestido de roupa de banho em vez de biquíni, carregando guarda-sol em vez de barraca. Comprarão um automóvel em vez de comprar um carro, pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na calçada. Viajarão de trem de ferro e apresentarão sua esposa ou sua senhora em vez de apresentar sua mulher.
(SABINO, F. Folha de S. Paulo, 13 abr. 1984)
A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes classes socioculturais. O texto exemplifica essa
característica da língua, evidenciando que
(A) o uso de palavras novas deve ser incentivado em detrimento das antigas.
(B) a utilização de inovações do léxico é percebida na comparação de gerações.
(C) o emprego de palavras com sentidos diferentes caracteriza diversidade geográfica.
(D) a pronúncia e o vocabulário são aspectos identificadores da classe social a que pertence o falante.
(E) o modo de falar específico de pessoas de diferentes faixas etárias é frequente em todas as regiões

Para aprender mais:
GRAMÁTICAS:
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Gramática do português contemporâneo. 6. ed. Rio
de Janeiro: Lexikon, 2013.
FARACO, Carlos E.; MOURA, Francisco M. Gramática. 17. ed. São Paulo: Ática, 1998.
TERRA, Ernani; NICOLA, José de. 1001 dúvidas de português. 2. ed. São Paulo: Saraiva,
2009.
INTERNET:
<http://cvc.instituto-camoes.pt/a-brincar/gramaticando.html#.VpkfUyorLIU>. Acesso em: 7 jan. 2016.
<http://iilp.cplp.org/>. Acesso em: 7 jan. 2016.
<http://revistalingua.com.br/>. Acesso em: 7 jan. 2016.


quarta-feira, 10 de julho de 2019

Literatura contemporânea entre as décadas de 1950 e 1980 - Aula teórica

Literatura contemporânea entre as décadas de 1950 e 1980


Contexto sócio-histórico e características literárias
A partir dos anos 1950, sobretudo com o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek – que pretendia desenvolver o país 50 anos, em 5 anos de mandato – e a construção de Brasília, o Brasil começou um processo vertical de modernização, industrialização e urbanização, o qual incendiou no país a promessa de um futuro melhor.
Porém, entre 1964 e 1985, os brasileiros experimentaram um período marcado por autoritarismos, violências e silenciamentos, que adiou a concretização de um país mais democrático: instaurou-se no Brasil a Ditadura civil-militar.

Poesia concreta

Resultado de imagem para poesia concretaResultado de imagem para poesia concretaO Concretismo – ou Poesia Concreta – é um movimento de vanguarda de nossa literatura que teve seu início por volta de 1956, sob a liderança dos poetas paulistas Haroldo de Campos (1929-2003), Augusto de Campos (1931-) – conhecidos como os irmãos Campos – e Décio Pignatari (1927-2012), cuja influência, no campo cultural brasileiro, é perceptível, especialmente por meio dos experimentalismos de linguagem legados ao Tropicalismo. Diante de um ambiente efetivamente urbano, a poesia concreta trava diálogos constantes com a propaganda, o anúncio e o outdoor, em que a velocidade da informação e racionalização da linguagem se associa ao jogo sedutor entre palavras e imagens. Nesses termos, sua proposta primordial constitui-se da aproximação da poesia com as artes visuais, rompendo com as estruturas tradicionais do verso em prol da exploração poética da plasticidade das palavras, das letras e dos espaços em branco da página, sem deixar de lado certos experimentalismos com a sonoridade, principalmente no que diz respeito a aliterações,
assonâncias e paronomásias.

Poesia marginal

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Paulo Leminski
Denomina-se poesia marginal, cujos principais representantes são Paulo Leminski (1944-1989), Chacal (1951-) e Torquato Neto (1944-1972), a produção poética da década de 1970 e 1980 a qual buscava alternativas viáveis para que a poesia pudesse chegar até aos leitores, de modo a burlar o sistema editorial, bem como ter a liberdade de se expressar, por meios poéticos, mesmo diante da censura instaurada pela Ditadura civil-militar à imprensa e às artes, no Brasil. Uma das formas
encontradas e comumente utilizada pelos poetas foi a comercialização, a baixo custo, de cópias mimeografadas – por isso mesmo, ficou conhecida também como a geração mimeógrafo –, vendidas diretamente pelo poeta, o que permitia seu contato direto com o público leitor, colocando-se, dessa forma, à margem da vida literária estabelecida pelos domínios das editoras e livrarias. Sob muitos aspectos, a poesia marginal se caracteriza por uma linguagem coloquial e espontânea, repleta de gírias da periferia, palavrões e ironias, em que a temática da vida cotidiana urbana, bem como de preocupação social, aflora através de construções poéticas geralmente sintéticas.

Literatura engajada: narrativa e ditadura civil-militar

Resultado de imagem para ditadura militarDurante a Ditadura civil-militar, mesmo com a forte censura instaurada no âmbito da imprensa e das artes, em especial a partir da promulgação do Ato Institucional nº 5, grande parte da produção literária desse período assume o compromisso político de resistência ao autoritarismo dos militares que tomaram o poder.
Nesses termos, a linguagem cifrada, por meio de metáforas, alusões, símbolos e alegorias, constitui uma característica predominante dessa literatura, a qual busca encontrar um modo de problematizar a realidade política do país, geralmente, por vias implícitas, já que se encontrava sob censura.
Podemos observar a alusão à Ditadura civil-militar, por exemplo, em A festa (1976), de Ivan Ângelo (1936-), prosa marcada pela fragmentação discursiva e pelo hibridismo de gênero, representando os desdobramentos da imigração de um grupo de nordestinos à cidade de Belo Horizonte, que resulta em uma brutal repressão policial, a qual parece aludir à violência de Estado praticada no Brasil, naquela época, porém, nenhuma referência à Ditadura se evidencia completamente no romance.
Outro exemplo é Sombra de reis barbudos (1972), de José J. Veiga (1915-1999), que emprega elementos fantásticos para construir uma alegoria sobre os abusos de poder praticados pelo Estado, nesse período da história brasileira.
Entretanto, sobretudo entre 1975 e 1985, com certo abrandamento da censura, surge uma literatura que discute mais abertamente as questões problemáticas referentes à Ditadura civil-militar, na qual vale destacar a literatura de testemunho, narrativas elaboradas a partir da vivência do próprio escritor ou de alguém que ele conheça que tenha vivenciado um acontecimento, por vezes traumático, que marcou a sociedade, a cultura e a história de uma época. Nesse sentido, o romance brasileiro mais aclamado, produzido nesse período, considerado como literatura de testemunho, é O que é isso, companheiro? (1979), em que Fernando Gabeira (1941-) conta sua própria participação na luta armada, na década de 1960, bem como sua prisão e exílio durante os anos de 1970.
Há ainda outra tendência na literatura brasileira desse momento: o romance-reportagem. Com a forte censura e a autocensura, nas redações dos jornais, muitos jornalistas encontraram na literatura um modo de explorar certos acontecimentos, através de uma escrita que rompesse com as fronteiras entre literatura e jornalismo, entre fato real e ficcionalidade, o que caracteriza o romance-reportagem. Uma das grandes referências dessa tendência é Lúcio Flávio: o passageiro da agonia (1976), de José Louzeiro (1932-), romance-reportagem sobre um dos maiores ladrões de banco do Brasil, que, de alguma maneira, pôde contribuir para a denúncia da violência policial, das precariedades do sistema carcerário brasileiro e do próprio Esquadrão da Morte, na época.

Literatura brutalista

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Rubem Fonseca
O termo brutalismo foi criado pelo crítico brasileiro Alfredo Bosi (1977) e se refere, mais especificamente, à literatura de viés realista, a qual tematiza a violência, principalmente a violência urbana, nas suas mais diferentes manifestações, indo desde o assalto, passando pela agressão física, até o homicídio, por meio do trabalho estético com a brutalidade, a crueza e a crueldade, tomadas como aspectos inerentes às práticas violentas dos grandes centros urbanos brasileiros. No entanto, não se trata apenas de colocar em cena a violência, em suas potencialidades, mas também de produzir uma linguagem literária que seja ela mesma violenta, o que foi possível a partir de um estilo
condensado, direto e coloquial, implacável em dizer as perversidades, sordidez e atrocidades
humanas, além de a linguagem usada nessas narrativas também trazer em si as marcas do submundo que constantemente tematizam, com suas gírias e palavras de baixo calão.
O grande representante do brutalismo é Rubem Fonseca (1925-), sobretudo nos livros de contos Feliz ano novo (1975) e O cobrador (1979), todavia, é preciso ressaltar que o contista paranaense Dalton Trevisan (1925-) é um de seus precursores na elaboração literária do brutalismo, com narradores tão cruéis quanto os de Fonseca. Nesses termos, a literatura brutalista produzida por Rubem Fonseca influenciou uma série de escritores posteriores à produção literária da década de 1970, como, por exemplo, Patrícia Melo (1962-), cujo romance O matador (1995) merece destaque, bem como Marçal Aquino (1958-), escritor do romance Cabeça a prêmio (2003), um bom exemplo da ressonância do brutalismo na literatura dos anos 2000.


Atividades
1. (Enem -2014)
TEXTO I
João Guedes, um dos assíduos frequentadores do boliche do capitão, mudara-se da campanha havia
três anos. Três anos de pobreza na cidade bastaram para o degradar. Ao morrer, não tinha um vintém
nos bolsos e fazia dois meses que saíra da cadeia, onde estivera preso por roubo de ovelha.
A história de sua desgraça se confunde com a da maioria dos que povoam a aldeia de Boa Ventura,
uma cidadezinha distante, triste e precocemente envelhecida, situada nos confins das fronteiras do
Brasil com o Uruguai.
(MARTINS, C. Porteira fechada. Porto Alegre: Movimento, 2001 (fragmento)).
TEXTO II
Comecei a procurar emprego, já topando o que desse e viesse, menos complicação com os homens,
mas não tava fácil. Fui na feira, fui nos bancos de sangue, fui nesses lugares que sempre dão para
descolar algum, fui de porta em porta me oferecendo de faxineiro, mas tava todo mundo escabreado
pedindo referências, e referências eu só tinha do diretor do presídio. (FONSECA, R. Feliz Ano Novo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989 (fragmento)).
A oposição entre campo e cidade esteve entre as temáticas tradicionais da literatura brasileira. Nos
fragmentos dos dois autores contemporâneos, esse embate incorpora um elemento novo: a questão da
violência e do desemprego. As narrativas apresentam confluência, pois nelas o(a)
A) criminalidade é algo inerente ao ser humano, que sucumbe a suas manifestações.
B) meio urbano, especialmente o das grandes cidades, estimula uma vida mais violenta.
C) falta de oportunidades na cidade dialoga com a pobreza do campo rumo à criminalidade.
D) êxodo rural e a falta de escolaridade são causas da violência nas grandes cidades.
E) complacência das leis e a inércia das personagens são estímulos à prática criminosa.
Resposta: c
2. (Enem – 2014)
Tarefa
Morder o fruto amargo e não cuspir
Mas avisar aos outros quanto é amargo
Cumprir o trato injusto e não falhar
Mas avisar aos outros quanto é injusto
Sofrer o esquema falso e não ceder
Mas avisar aos outros quanto é falso
Dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a não pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
Então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano. (CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981).
Na organização do poema, os empregos da conjunção “mas” articulam, para além de sua função
sintática,
A) a ligação entre verbos semanticamente semelhantes.
B) a oposição entre ações aparentemente inconciliáveis.
C) a introdução do argumento mais forte de uma sequência.
D) o reforço da causa apresentada no enunciado introdutório.
E) a intensidade dos problemas sociais presentes no mundo.
Resposta: C

Sugestões culturais
Álbum Tropicalia ou Panis et Circencis, de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Nara Leão, Os Mutantes e Tom Zé (1968).
Bandeira Seja marginal, seja herói, de Hélio Oiticica (1968).
Filme O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha (1968).
Filme Batismo de sangue, de Helvécio Ratton (2007).
Documentário Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho (1984).
Documentário Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil (2010).

Referências
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 43. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.
BOSI, Alfredo (Org.). O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1977.
CAMPOS, Augusto; CAMPOS, Haroldo; PIGNATARI, Décio. Teoria da poesia concreta: textos críticos e manifestos 1950-1960. São Paulo: Duas Cidades, 1975.
CARNEIRO, Flávio. No país do presente: ficção brasileira no início do século XXI. Rio de Janeiro: Rocco, 2005.
MATTOSO, Glauco. O que é poesia marginal. São Paulo: Brasiliense, 1981.
PELLEGRINI, Tânia. Gavetas vazias: ficção e política nos anos 70. São Carlos:
EDUFSCar; São Paulo: Mercado de Letras, 1996.
SCHØLLHAMMER, Karl Erik. Breve mapeamento das relações entre violência e cultura no Brasil contemporâneo. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, DF, n. 29, p. 27-53, jan./jun. 2007.
SCHØLLHAMMER, Karl Erik. Ficção brasileira contemporânea. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2009.
SCHØLLHAMMER, Karl Erik. Cena do crime: violência e realismo no Brasil contemporâneo.
Rio de Janeiro: José Olympio, 2013.
SÜSSEKIND, Flora. Tal Brasil, qual romance?: uma ideologia estética e sua história:
o naturalismo. Rio de Janeiro: Achiamé, 1984.

O Modernismo - Aula teórica (Haverá aulas específicas para cada autor e obra relevante do modernismo)

O Modernismo

A Semana de Arte Moderna de 1922

Resultado de imagem para semana de arte moderna 22Dada a grandiosidade do acontecimento e suas repercussões, revisitar a Semana de Arte Moderna é tarefa tão fascinante quanto desafiadora. Fascinante, pelo fato de relembrarmos a imensa discussão de ideias levantadas por seus participantes, bem como seu caráter iconoclasta e transformador. Desafiadora, pela dificuldade de pontuarmos a proporção de suas reverberações, já que a própria mentalidade social da época teve suas estruturas abaladas pelas propostas revolucionárias defendidas pelos modernistas.

Em fevereiro de 1922, tinha início o encontro que reuniu, no Teatro Municipal de São Paulo, artistas e intelectuais cujo ideal era inovar as manifestações artísticas no Brasil: a Semana de Arte Moderna. Da música à escultura, da pintura à literatura, instaurou-se a ideia de romper com conceitos moldados pela mentalidade que fosse considerada passadista, conservadora. Para os idealizadores e participantes dessa semana tão efervescente quanto provocadora, os movimentos estéticos anteriores,
Resultado de imagem para abaporuespecialmente o Parnasianismo, eram sinônimos de formas de arte ultrapassadas, representações enrijecidas e, portanto, impermeáveis às novas tendências já em vigor em terras estrangeiras. Destacamos as Vanguardas Europeias, como o Cubismo, o Expressionismo, o Dadaísmo, o Futurismo, o Surrealismo. Aliás, um dos objetivos era justamente absorver os aspectos vanguardistas e dar-lhes a cor local, uma vez que tais valores seriam incorporados e ressignificados de acordo com nosso temperamento, de acordo com a genuinidade brasileira: era trazido à tona o conceito da “antropofagia”.

Respaldada financeiramente pela elite burguesa paulistana acostumada a academicismos, a Semana de 22 desenvolveu-se em clima de intensa agitação. Sob vaias e protestos de um público que desentendia o ideal de renovação e que se sentia mesmo afrontado, os artistas liam manifestos e poemas, pronunciavam palestras, apresentavam saraus. Ridicularizando os parnasianos, o poema “Os sapos”, de Manuel Bandeira, foi declamado pelo próprio escritor, debaixo de gritos e muito barulho. Heitor Vila-Lobos foi alvo de reações escandalizadas e hostis, pelo fato de vir trajado de casaca e chinelo para seu recital. Mal sabia o inflamado e insatisfeito público que o compositor era acometido por intensa dor, devido ao desconforto de um calo. Mario de Andrade – um dos principais articuladores do evento – mal conseguia proferir sua palestra sobre artes plásticas na escadaria de acesso ao hall do teatro, pois foi alvo de ofensas e vaias. Aliás, convém lembrar que foi na ocasião da Semana de Arte Moderna que o autor de Macunaíma dá a conhecer ao público Pauliceia Desvairada – obra produzida anteriormente ao encontro e de extrema relevância ao Modernismo de São Paulo. A Semana de 22 contou com a importância capital do escritor Oswald de Andrade, autor de Memórias sentimentais de João Miramar e de produções fundamentais ao fortalecimento do movimento modernista paulista. Nomes como Graça Aranha, Anita Malfati, Menotti del Picchia, o escultor Victor Brecheret e Di Cavalcanti também constituíram o grupo de artistas e líderes do evento.
Resultado de imagem para semana de arte moderna 22
Dentre os diversos efeitos produzidos pela Semana de Arte Moderna, consta a revista Klaxon – periódico que durou apenas nove números, mas que refletiu o esforço por sistematizar o ideal de arte moderna apresentado no evento ocorrido em 1922. Na revista, foram publicados textos de suma importância para divulgação da fase inicial do Modernismo.
Finalmente, a Semana de Arte Moderna foi também ponto de encontro para a correspondência entre os artistas e intelectuais de São Paulo e Rio de Janeiro.
Mais tarde, resultante desse elo, culminaria na instauração do Modernismo como movimento artístico propriamente consolidado.

Modernismo

Contexto sócio-histórico e características literárias


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O início do século XX nas Artes foi enfatizado pelo surgimento de novas estéticas artísticas, denominadas Vanguardas, as quais concatenavam com as profundas mudanças sociais, políticas e tecnológicas pelas quais o mundo passava. As Vanguardas buscavam romper com tudo aquilo que estava estabelecido até então, combatendo os modelos e padrões instituídos da tradição cultural vigente.
Na política, várias correntes ideológicas foram criadas e difundidas, como o Nazismo, o Fascismo e o Comunismo. Os avanços tecnológicos, o progresso industrial e as descobertas científicas e médicas eram cada vez mais velozes e disseminados.
Resultado de imagem para dadaísmoA urbanização crescia de maneira desenfreada. A ferrenha disputa pelo mercado financeiro mundial também se acirrava mais e mais, ocasionando grandes e longas guerras. Especificamente no Brasil, o fim da escravidão e a Proclamação da República também ocasionaram transformações sociais e políticas importantes.
Resultado de imagem para expressionismoTanto na Europa quanto no resto do mundo, a situação era extremamente propícia para o surgimento de novas concepções artísticas. Nesse contexto, surgiram as Vanguardas Europeias, como o Futurismo, o Expressionismo, o Cubismo, o Dadaísmo e o Surrealismo.
De certa maneira, apesar de muito diferentes em suas características mais latentes e particulares, todas essas vanguardas tinham como ponto comum o fato de romperem com o passado e se autointitularem “modernas”, ou seja, rejeitarem a tradição e representarem o “novo”. O vigoroso poder de questionamento, a quebra dos padrões e os protestos contra a arte conservadora influenciaram a arte produzida em todos os lugares do mundo, culminando no “Modernismo”, de alcance mundial, movimento que foi dividido em fases, tanto em Portugal quanto no Brasil.

Autores e obras
O Modernismo enquanto literatura esteve sempre associado a outras modalidades artísticas, principalmente às artes plásticas, as quais influenciaram de maneira decisiva as composições literárias. Fernando Pessoa, Sá Carneiro e Almada Negreiros são os autores de maior destaque no Modernismo de Portugal. Esses e outros autores publicavam os seus primeiros textos em revistas literárias, como foram os casos de Exílio e Centauro, ambas de 1916, a primeira com apenas uma edição. Mas foi outra revista, Orpheu, que acabou dando o nome à primeira fase do Modernismo
Português, o Orfismo, que tinha como principal característica criticar o conservadorismo e o academicismo instituídos na literatura do país até então.

Fernando Pessoa (1888-1935) 

Resultado de imagem para fernando pessoaFoi o poeta modernista português mais importante e também um dos escritores mais completos da história literária mundial. Pessoa criou heterônimos em sua produção lírica, ou seja, além de escrever sob seu próprio nome, compôs obras inteiras, que são de autoria desses heterônimos, de maneira independente. Cada heterônimo tem sua própria data de nascimento,
suas características físicas, psicológicas, seu estilo e sua data de morte. Os mais importantes heterônimos de Pessoa são Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares.



Mário de Sá Carneiro (1890-1916)

Resultado de imagem para mário de sá carneiroDesde o lançamento de suas primeiras obras, é  reconhecidamente um dos maiores autores do Modernismo em Portugal. Correspondia-se intensamente com Fernando Pessoa e deixava sempre evidente o seu desespero e o seu pessimismo diante da vida e de tudo. Temas e ideias relacionados à morte e ao suicídio também são constantes. Em 1916, deixa clara, em uma carta a Fernando Pessoa, a sua intenção cada dia mais latente
de cometer suicídio, o que acaba acontecendo no dia 26 de abril, em um hotel francês na cidade de Nice. A confissão de Lúcio (1914) e Céu em fogo (1915) são as suas obras de maior destaque.



A Segunda Geração do Modernismo português também foi chamada de Presencismo, com nome oriundo da Revista Presença, fundada em 1927 e que seguiu até 1940, em Coimbra, criada por José Régio, Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, que queriam aprofundar discussões acerca da teoria da literatura e novas formas de expressão. Notava-se fortemente a influência da psicanálise de Freud.
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A Terceira Geração do Modernismo português é chamada de Neorrealismo, começando na década de 40, caracterizada pelo combate ao fascismo, uma literatura crítica, que serve como denúncia social, valendo-se de postura combativa e reformadora, pensando em prestar um serviço à sociedade. Ferreira de Castro é um autor importante da geração, realizando uma espécie de análise dos problemas sociais, ao lado de Manuel da Fonseca e José Gomes Pereira.

Assim como aconteceu na Europa, as artes plásticas foram igualmente muito importantes para o aparecimento do Modernismo, no Brasil. Apesar de o ponto de partida do Modernismo brasileiro ser a “Semana de Arte Moderna”, de 1922, em São Paulo, dois pintores já tinham trazido tendências do Modernismo para o país antes disso, em 1913 e 1917. Foram, respectivamente, Lasar Segall (1891-1957) e Anita Malfatti (1889-1964).
Em 1922, com a “Semana de Arte Moderna”, inicia-se o que hoje chamamos de Primeira Geração do Modernismo brasileiro, também conhecida como 'Fase Heroica”, que segue até aproximadamente 1930, caracterizada, sobretudo, por um profundo compromisso dos artistas com a renovação estética, fundada pela influência das Vanguardas Europeias, assimilando tendências culturais daqueles movimentos.
Foi o período mais radical do Modernismo brasileiro. Buscou-se a criação de uma linguagem nova e original, que conseguisse romper os limites da tradição, mudando vigorosamente a forma como se escrevia até o momento. O verso livre, o abandono das formas fixas tradicionais, a linguagem coloquial, a ausência de pontuação e a valorização do cotidiano foram suas características mais comuns. Nacionalistas, os autores desse período criaram Movimentos e Revistas, como a Revista Klaxon, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, o Manifesto Regionalista de 1926 e a Revista de
Antropofagia. Os autores mais importantes da Primeira Geração do Modernismo, no Brasil, foram:

Mário de Andrade (1893-1945)

Resultado de imagem para mário de andradeFoi um dos autores mais importantes da literatura brasileira em todos os tempos, atuando em muitas frentes, como a poesia, a prosa, a música, a pesquisa da arte e do folclore brasileiros, o ensaio, entre outras. Suas obras mais importantes foram Pauliceia desvairada (1922), Amar, verbo intransitivo (1927), Macunaíma (1928) e Lira paulistana (1945).




Oswald de Andrade (1890-1954)

Resultado de imagem para oswald de andradePolêmico, inovador e extremamente rebelde, foi um dos grandes nomes da Semana de Arte Moderna, que aconteceu em 1922, em São Paulo. É o autor de dois manifestos importantíssimos para o movimento modernista o "Manifesto da Poesia Pau-Brasil” (1924) e o “Manifesto Antropofágico” (1928). Suas obras em prosa mais importantes são Memórias sentimentais de João Miramar (1924) e Serafim Ponte Grande (1933).






Manuel Bandeira (1886-1968)

Resultado de imagem para manuel bandeiraApesar de aparecer sempre como integrante da primeira geração dos modernistas brasileiros, Bandeira transcende qualquer classificação e figura entre os maiores poetas do Brasil. Sua vasta produção poética tem como grandes expoentes A cinza das horas (1917), Libertinagem (1930),
Estrela da manhã (1936) e Estrela da vida inteira (1966).




A Segunda Geração do Modernismo nacional, também conhecida como
“Fase de Consolidação”, conta com o aparecimento de grandes escritores na produção ficcional em prosa. A temática nacionalista continua latente e o autor vai ao encontro do povo brasileiro, criando uma narrativa regionalista. Além dos novos autores em prosa, surge um dos maiores poetas do Brasil de todos os tempos: Carlos Drummond de Andrade. Tal geração é tida como mais séria e mais grave, evitando as piadas e os exageros da primeira geração, com uma postura dolorida, austera e circunspecta em relação ao mundo. São muitos os principais autores desse período.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Resultado de imagem para drummondPoeta, contista e cronista, Drummond nasceu em Itabira-MG, cidade que ganharia relevo em sua obra
lírica. Apesar de herdar a liberdade métrica e linguística dos Modernistas, Carlos Drummond transcende a escola literária e representa o ponto máximo da poesia brasileira. Em uma dicotomia 'eu x mundo', segundo o escritor e crítico Affonso Romano de Sant'Anna, Drummond demonstra três atitudes destacadas em sua obra: a poesia irônica como 'eu maior que o mundo', a poesia social como 'eu menor que o mundo' e a poesia metafísica como 'eu igual ao mundo'. Suas obras de maior destaque, entre muitas outras, são Alguma poesia (1930), Sentimento do mundo (1940), A Rosa do povo (1945) e Claro enigma (1951).


Murilo Mendes (1901-1975)

Resultado de imagem para murilo mendesFoi um importante escritor mineiro, que colaborou ativamente com as revistas Modernistas brasileiras, como a Antropofagia, a Terra roxa e a Outras terras. Com traços de influência cubista e surrealista, Mendes teve fases muito marcadas em sua composição literária. Por conta da fase mais religiosa, é chamado de poeta espiritualista, o que não o impediu de criar uma literatura que também refletia questões ligadas à realidade social. Suas obras mais importantes são Bumba-meu-Poeta (1930), Tempo e eternidade (1935 – em parceria com Jorge de Lima), Mundo enigma (1945) e Poliedro (1972).


Jorge de Lima (1893-1953)

Resultado de imagem para jorge de limaMédico, político, pintor, tradutor e escritor, antes de pertencer ao Movimento Modernista, valia-se do rigor métrico em sua composição lírica, como na belíssima obra XIV Alexandrinos (1914). De talento ímpar, Lima não se ateve a um tema ou a uma forma em sua múltipla e variada produção literária. Suas obras mais aclamadas são O mundo do menino impossível (1925), Tempo e eternidade (1935), Poemas negros (1947), o romance A mulher obscura (1939) e Invenção de Orfeu (1952).





Cecília Meireles (1901-1964)

Resultado de imagem para cecília meirelesA poetisa carioca também ficou conhecida como autora espiritualista, por conta da publicação de poemas com viés católico nas revistas Árvore Nova, Terra de Sol, Festa, entre outras. Outras temáticas importantes surgem na obra de Cecília, através dos tempos, como os sonhos, a solidão,
o padecimento e a força inexorável do tempo. Suas obras de maior destaque são Espectros (1919), Romanceiro da Inconfidência (1953), Giroflê, Giroflá (1956), Ou isto ou aquilo (1964) e O menino atrasado (1966).


Vinícius de Morais (1913-1980)

Resultado de imagem para vinicius de moraesDestacou-se na literatura por seus famosos e consagrados sonetos, recebendo do amigo e parceiro Tom Jobim a alcunha de 'poetinha'. Vinícius atuou ativamente na literatura, no teatro, no cinema e na
música, fazendo da temática amorosa o seu grande mote. Foi um dos fundadores e maiores representantes do mais importante movimento musical brasileiro, a 'Bossa Nova'. Na literatura, destacam-se Cinco elegias (1943), Poemas, sonetos e baladas (1946), a peça teatral 'Orfeu da Conceição” (1954) e seus muitos sonetos de amor, como o soneto brasileiro mais celebrado em todos os tempos, o “Soneto da Fidelidade”, com o seu famigerado desfecho “mas que seja infinito
enquanto dure”.


José Lins do Rego (1901-1957)

Resultado de imagem para jose lins do rêgoEleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1955, esse notável paraibano de incrível poder de descrição deixou uma obra literária muito importante, como Menino de engenho (1932), Riacho doce (1939) e Fogo morto (1943).









Graciliano Ramos (1892-1953)

Resultado de imagem para graciliano ramosA prosa Modernista atinge o seu ápice com esse jornalista, político e escritor alagoano, que viria a ser preso em 1936, acusado de subversão ao comunismo, o que acabaria inspirando Memórias do cárcere, de 1955. Sua riquíssima obra literária compreende São Bernardo (1934), Angústia (1936), Vidas secas (1938) e Infância (1945).


A Terceira Geração do Modernismo brasileiro, também chamada por alguns
críticos de Pós-Modernista, caracteriza-se por uma nova dimensão do regionalismo, sobretudo com a inovação literária proposta por Guimarães Rosa, e também por uma poesia mais equilibrada e séria, com destaque para a produção de João Cabral de Melo Neto, negando as ironias e as sátiras da primeira geração dos Modernistas, pautando a poesia pelo trabalho zeloso e pelo extremo cuidado com as palavras.

João Guimarães Rosa (1908-1967)

Resultado de imagem para guimarães rosaEsse médico, diplomata e escritor mineiro foi um dos mais importantes, inovadores e talentosos artistas brasileiros de todos os tempos. Sua magnum opus, Grande Sertão: Veredas (1956), costuma figurar como o texto mais importante da literatura brasileira, com seus neologismos, invenções linguísticas, regionalismo e realismo mágico. Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963, resolveu assumir a Cadeira nº 2 apenas em 1967, três dias antes de morrer. Suas obras de maior destaque, além da já citada, foram Sagarana (1946), Corpo de baile (1956), Primeiras estórias (1962) e Campo geral (1964).


Clarice Lispector (1920-1977)

Resultado de imagem para lispectorNascida na Ucrânia e radicada no Brasil muito cedo, Lispector explora o inconsciente de suas personagens, numa narrativa introspectiva, intimista e repleta de fluxos de consciência. Suas obras mais celebradas foram A paixão segundo G. H. (1964), A hora da estrela (1977), a coletânea
de contos Laços de família (1960) e Um sopro de vida (1978).





João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

Resultado de imagem para melo netoEsse autor pernambucano foi o poeta mais importante da terceira geração do Modernismo brasileiro. A sua poesia é caracterizada pelo rigor estético e pela rejeição aos excessos modernistas da primeira
geração, com extrema precisão na escolha e no uso das palavras. O trabalho lúcido e paciente, a objetividade e a exatidão na linguagem marcaram a sua obra, que tem como expoentes Pedra do sono (1942), Os três mal-amados (1943), Morte e vida Severina (1955), A educação pela pedra (1966) e Tecendo a manhã (1999).




Atividades
1. Leia as afirmações abaixo sobre os heterônimos de Fernando Pessoa e assinale a alternativa que traz a sequência correta.
I- Autor do “Livro do desassossego”, é um ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, considerado pelo próprio Fernando Pessoa como um semi-heterônimo.
II- Nasceu no Porto, estudou em um colégio de jesuítas, formou-se em medicina e era um latinista.
Apresenta uma linguagem culta e clássica em poemas que fazem alusões à mitologia grega. Outro
grande autor português, José Saramago, se refere a ele em um importante romance português, onde
situa sua morte em 1936.
III- Um dos heterônimos mais importantes de Pessoa, foi chamado de “O Mestre Ingênuo”. Ligado
à natureza, se declarava antimetafísico e aceitava o mundo exterior assim como ele era, sempre o
contemplando, rejeitando a subjetividade e a introspecção.
IV- Estudou engenharia mecânica e naval em Glasgow. O poema “Tabacaria” (1928) é a sua maior
criação literária. Foi o único heterônimo de Pessoa que viveu fases distintas de produção, que foram
três: a Decadentista, a Futurista/Sensacionalista e a Intimista/Pessimista.
a) Bernardo Soares, Fernando Pessoa, Alberto Caeiro e Ricardo Reis.
b) Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Fernando Pessoa e Alberto Caeiro.
c) Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Bernardo Soares e Alberto Caeiro.
d) Bernardo Soares, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos.
e) Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares.
2. Em relação ao Modernismo Brasileiro, assinale a seguir a opção que traz um importante autor e
uma característica fundamental da Primeira Geração:
a) João Cabral de Melo Neto – rigor formal e estético levado às últimas consequências.
b) Jorge Amado – valorização do cotidiano brasileiro e do regionalismo.
c) Oswald de Andrade – liberdade formal e rompimento com as formas fixas tradicionais.
d) Guimarães Rosa – poesia mais séria e grave, com respeito aos modelos canônicos.
e) Clarice Lispector – forte influência da teoria psicanalítica de Freud na caracterização das personagens.
3. Quais características de Macunaíma (1928), de Mário de Andrade, o distinguem como um dos
textos mais marcadamente integrantes do Modernismo Brasileiro?

Sugestões culturais
Filme ETERNAMENTE PAGU, dirigido por Norma Bengell, de 1988, filmado no Brasil, baseado na vida da escritora e jornalista Pagu, que participou ativamente do Modernismo brasileiro, com Carla Camurati, Nina de Pádua, Antônio Fagundes, Otávio Augusto e grande elenco. Documentário POETA DAS SETE FACES, dirigido por Paulo Thiago, de 2002, feito no Brasil, que remete à obra do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos maiores nomes do Modernismo brasileiro.
Filme VIDAS SECAS, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, de 1963, filmado no Brasil, baseado no romance homônimo de Graciliano Ramos (1892-1953), com Átila Iório, Genivaldo Lima, Maria Ribeiro e grande elenco.
Filme CAPITÃES DE AREIA, dirigido por Célia Amado, de 2011, filmado no Brasil, baseado no romance homônimo de Jorge Amado (1912-2001), com Jean Luis Amorim, Ana Graciela, Robério Lima e grande elenco.
Filme A HORA DA ESTRELA, dirigido por Suzana Amaral, de 1985, filmado no Brasil, baseado no romance homônimo de Clarice Lispector (1920-1977), com Fernanda Montenegro, Marcélia Cartaxo, José Dumont e grande elenco.
Álbum musical ORFEU DA CONCEIÇÃO, de Tom Jobim (1927-1994) e Vinícius de Moraes (1913-1980), primeiro álbum da famosa e produtiva parceria entre Tom e Vinícius, trilha sonora para a peça homônima do “poetinha”, canções orquestradas e regidas por Jobim, gravadas pela “Grande  Orquestra Odeon”.

Referências
ANDRADE, Mário de. O Movimento Modernista. In: ______. Aspectos da literatura brasileira. São Paulo: Martins, 1978.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1995.
CÂNDIDO, Antônio. Formação da literatura brasileira. Belo Horizonte: Itatiaia, 1981.
CÂNDIDO, Antônio. Literatura e sociedade. São Paulo: Publifolha, 2000.
MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através de textos. São Paulo: Cultrix, 1994.
MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa. São Paulo: Cultrix, 1995a.
MOISES, Massaud. Dicionários de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1995b.
SARAIVA, Antônio José. Historia da literatura portuguesa. Porto: Porto Editora,
1996.





Atividade de interpretação de texto para o 1º ano 20/02/2020

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