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segunda-feira, 8 de julho de 2019

Arcadismo - Aula teórica

Arcadismo

Contexto sócio-histórico e características do movimento literário

Resultado de imagem para ARCADISMOAo longo do século XVIII, a Europa passou por intensas transformações, como o processo de evolução Industrial, iniciado na Inglaterra, a Revolução Francesa e o advento do pensamento ilustrado (ou iluminista). Tais processos alteraram estruturas sociais, políticas e econômicas, como, por exemplo, colocando em xeque a nobreza e o clero, conferindo maior poder à burguesia. Nesse cenário, adquirem valor de destaque a ciência e a razão. A academia literária da Arcádia Lusitana (1756-1776), em Portugal, lançava a base do Arcadismo brasileiro, com traços como a simplicidade, a convenção pastoral e a inspiração em autores e cultura clássicos, além de estabelecer os ideais de Verdade, Razão e Natureza. Assim, a poesia árcade preza pela clareza e pela simplicidade, algo que se vincula ao pensamento ilustrado da época, marcado pelo cultivo do saber e da razão. Dessa forma, para os árcades, a poesia deveria se afastar de formas rebuscadas que dificultassem a sua compreensão, pois, para eles, a compreensão da realidade se dá por meio do pensamento organizado de modo racional. É nesse sentido que a poesia árcade combate o Cultismo (jogo de palavras rebuscado, com propósito ornamental), um traço característico do Barroco. A temática bucólica pastoral vincula-se à busca pela naturalidade e pela simplicidade, e trata a natureza com nostalgia, como um bem perdido. A rusticidade do país daquele contexto, aponta Antônio Cândido (2014), tornou a poesia pastoral mais natural no Brasil do que em Portugal. No tocante aos aspectos formais do movimento literário, destacam-se os versos decassílabos e as formas nas quais eles são empregados com muita frequência, como sonetos e odes.

Cláudio Manuel da Costa

Resultado de imagem para claudio manuel da costaO primeiro poeta árcade brasileiro foi Cláudio Manuel da Costa (1729-1789). De família abastada, cujos negócios se ligavam à mineração, Cláudio Manuel estudou no Colégio dos Jesuítas, no Rio de Janeiro, e cursou Direito, em Coimbra. Ao regressar de Portugal, tornou-se advogado e administrador dos bens que herdara em Vila Rica (atual Ouro Preto). Detido por ser membro do movimento da Inconfidência Mineira, foi encontrado morto na prisão por suposto suicídio.
Os sonetos de Cláudio Manuel da Costa, segundo Alfredo Bosi (1994), são caracterizados pelo bucolismo e pelas figuras de pastoras quase sempre inacessíveis pelo eu-lírico. Um procedimento temático empregado na poesia de Costa, também apontado por Cândido (2004), é a metamorfose de acidentes naturais como a transformação de personagens mitológicas, aproximando a realidade brasileira à tradição clássica, o que a afirma na tradição literária ocidental. Suas principais  publicações são Obras Poéticas de Cláudio Manuel da Costa (1768), na qual o poeta adota o pseudônimo Glauceste Satúrnio, e Vila Rica (escrito em 1773, publicado postumamente, em 1839).

Soneto LXXXI
Junto desta corrente contemplando
Na triste falta estou de um bem que adoro;
Aqui entre estas lágrimas, que choro,
Vou a minha saudade alimentando.

Do fundo para ouvir-me vem chegando
Das claras hamadríades o coro;
E desta fonte ao murmurar sonoro,
Parece, que o meu mal estão chorando.

Mas que peito há de haver tão desabrido,
Que fuja à minha dor! Que serra, ou monte
Deixará de abalar-se a meu gemido!

Igual caso não temo, que se conte;
Se até deste penhasco endurecido
O meu pranto brotar fez uma fonte.

Tomás Antônio Gonzaga

Resultado de imagem para tomás antonio gonzagaNascido em Portugal, Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810?) estudou com os jesuítas na Bahia, durante a sua infância, e retornou a Portugal, onde se formou em Direito e trabalhou durante alguns anos. De volta ao Brasil, tornou-se ouvidor em Vila Rica. Anos depois, por causa de sua participação na Inconfidência Mineira, foi preso e degredado para Moçambique, onde viveu até a sua morte. Destacam-se, na sua produção poética, as liras de Marília de Dirceu (primeira parte - 1792; edição com as duas partes: 1799), obra que estabelece um forte vínculo com a vida do poeta: Marília é a representação de Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, jovem que Gonzaga, representado por Dirceu nas liras, amava. Gonzaga chegou a ser noivo de Maria Dorotéia antes de ser preso pelo seu envolvimento com a Inconfidência. Poesia de atmosfera pastoril, Marília de Dirceu apresenta duas partes. Na primeira delas, o eu-lírico declara o seu amor por Marília e pelo desejo de uma vida conjugal com ela, marcada não por grandes idealizações, mas por um cotidiano doméstico dividido a dois. Na segunda parte, escrita por Gonzaga no cárcere, Marília é evocada, mas o centro do poema é o próprio eu-lírico e seus dramas.

Vejamos um trecho da “Lira I”:

Lira I
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d’expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado:
Os pastores, que habitam este monte,
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Ao som dela concerto a voz celeste;
Nem canto letra, que não seja minha,
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Outros autores importantes

Resultado de imagem para o uraguaiA literatura árcade brasileira apresenta outros autores de destaque. Figura entre eles José Basílio da Gama (1741-1795), que escreveu o poema épico O Uraguai (1769), o qual trata da disputa entre índios, jesuítas e tropas de portugueses e espanhóis por Sete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul. Composto em cinco cantos com versos brancos, o poema representa o índio como uma figura heroica, como um homem natural (menos por viver próximo à natureza, mais por expressar espontaneamente a sua afetividade). O poema também constrói um ataque aos jesuítas, algo
lido como uma louvação ao Marquês de Pombal (1699-1782), por quem Basílio da Gama era protegido.
Outro autor de destaque é Frei José Santa Rita Durão (1722-1784), cuja obra Caramuru (1781) vai em direção contrária a O Uraguai, por celebrar os jesuítas, por meio do pensamento de que é um progresso fazer com que uma sociedade primitiva se torne civilizada, de acordo com os princípios católicos (ou seja, por meio da catequese dos jesuítas).
O poema épico de Santa Rita Durão trata do descobrimento da Bahia, contando a história de Diogo Álvares Correia, náufrago português que passa a ser chamado pelos índios tupinambás de Caramuru (“filho do trovão”). Diogo-Caramuru casa-se com a índia Paraguaçu, simbolizando a união do colonizador com o povo colonizado.



Atividades
Leia o poema a seguir de Cláudio Manuel da Costa para responder às questões 1, 2 e 3.
Soneto VII
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado;
Ali em vale um monte está mudado:
Quando pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera;
Nem troncos vejo agora, decadentes.

Eu me engano: a região esta não era...
Mas, que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera?
Fonte: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000040.pdf>. Acesso em: 15 maio 2015.
1. Como se caracterizam o passado e o presente, no poema? Use trechos do poema para justificar a sua resposta. O passado é florescente e eufórico (“Árvores aqui vi tão florescentes, / Que faziam perpétua a primavera), e o presente é decadente e disfórico (“Nem troncos vejo agora, decadentes”).
2. Levando em consideração a sua resposta anterior e as premissas do pensamento árcade, qual o vínculo entre passado, a natureza encontrada (espaço externo) e a condição presente do eu-lírico (espaço interno)? A natureza do passado, perdida no presente, é vista com nostalgia. A decadência dos elementos da natureza (árvores, fonte) do espaço externo representam o sofrimento interno do eu-lírico. Ou seja, ao falar do que vê na natureza, o eu-lírico fala do que está sentindo.
3. Qual é a ironia amarga para o eu-lírico que emerge na última estrofe do poema? Notar que ele havia se enganado, pois a região em que ele se encontrava não era a que ele pensava ser. Na verdade, o que causa o seu próprio mal-estar gera projeções sobre o espaço externo.

Sugestões de sites públicos
BIBLIOTECA “Literatura Digital”, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Disponível em: <http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/>. Nesse site estão disponíveis várias obras de poetas árcades.
BIBLIOTECA Brasiliana Guita e José Mindlin. Disponível em: <http://www.bbm.usp.br/>. No acervo desta biblioteca estão disponíveis versões digitalizadas várias obras raras, como as primeiras edições dos livros de Cláudio Manuel da Costa e de outros poetas árcades.

Sugestão de filme
CARAMURU - a invenção do Brasil. Direção: Guel Arraes. Produção: Anna Barroso.
Intérpretes: Selton Mello, Camila Pitanga e Deborah Secco. Produzido por Globo
Filmes; Lereby Productions. 2001.
O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN
A LAGOA AZUL
PERFUME, A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO

Referências
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 37. ed. São Paulo: Cultrix, 1994.
CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira. 4. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2004.
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. 15. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2014.
COSTA, Cláudio Manoel. Soneto LXXXI. In: ______. Obras poéticas de Glauceste Satúrnio. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ fs000040.pdf>. Acesso em: 15 maio 2015.
GONZAGA, Tomás Antônio. Lira I. In: ______. Marília de Dirceu. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000301.pdf>. Acesso em: 15 maio 2015.


quinta-feira, 4 de julho de 2019

Arcadismo - Exercícios com gabarito

01. - (CESCEM) O Arcadismo, didaticamente, inicia-se, no Brasil, em 1768: 

a) com a fundação de Arcádia de Lusitana. 
b) com a publicação de poemas de Cláudio Manuel da Costa (em Lisboa) e pela fundação da Arcádia Ulissiponense. 
c) com a publicação dos poemas de Cláudio Manuel da Costa (em Lisboa) e pela fundação da Arcádia Ultramarina. 
d) pela vinda da família real para o Brasil. 

02. (UFRS) Leia as afirmações abaixo sobre o Arcadismo brasileiro. 

I - Os poetas árcades colocavam-se como pastores para realizarem, dessa forma, o ideal de uma vida simples em contato com a natureza. 
II - O Arcadismo brasileiro, embora tenha reproduzido muito dos modelos europeus, apresentou características próprias, como a incorporação do elemento indígena e a sátira política. 
III - O tema do "Carpe diem", em que o poeta expressa o desejo de aproveitar intensamente o momento presente, fugaz e passageiro, foi ignorado pelos árcades brasileiros, excessivamente racionalistas. 

Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas III. 
c) Apenas I e II. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III.

03. (UFPA) O Arcadismo é um estilo de época que pode ser definido, segundo o que determina a seguinte afirmação: 

a) Nesse período o homem é regido pelas leis físico-químicas, pela hereditariedade e pelo meio social 
b) A poesia dessa época dá ênfase ao poder de vidência do artista 
c) Destaca-se nessa fase certo gosto pelo equilíbrio, pela simplicidade e pela harmonia, a partir dos modelos clássicos antigos 
d) Há nessa Escola literária uma tendência à valorização do humor, com vistas a afugentar as circunstâncias desagradáveis da vida 
e) Enfatiza-se na criação poética, desse momento, a utilização do valor sugestivo da música

04. - Quanto à linguagem árcade, quais alternativas estão ERRADAS: 

I - prefere a ordem indireta, tal como no latim literário; 
II - tornou-se artificial, pedante, inatural;
III - procura o comedimento, a impessoalidade, a objetividade; 
IV - manteve as ousadias expressionais do Barroco; 
V - promove um retorno às “virtudes clássicas” da clareza, da simplicidade e da harmonia. 

a) II, IV, V 
b) III, IV 
c) II, V 
d) I, II, IV 
e) I, II, III, IV, V

05. (Ufsc) Considere as afirmativas sobre Barroco e o Arcadismo: 

1. Simplificação da língua literária – ordem direta – imitação dos antigos gregos e romanos. 
2. Valorização dos sentidos – imaginação exaltada – emprego dos vocábulos raros. 
3. Vida campestre idealizada como verdadeiro estado de poesia-clareza-harmonia. 
4. Emprego freqüente de trocadilhos e de perífrases – malabarismos verbais – oratória. 
5. Sugestões de luz, cor e som – antítese entre a vida e a morte – espírito cristão antiterreno. 

Assinale a opção que só contém afirmativas sobre o Arcadismo: 

a) 1, 4 e 5 
b) 2, 3 e 5 
c) 2, 4 e 5 
d) 1 e 3
e) 1, 2 e 5

06. (PUR-RJ) Qual dessas afirmações não caracterizava a poesia arcádica realizada no Brasil no século XVIII?

a) Procurava-se descrever uma atmosfera denominada locus amoenus. 
b) A poesia seguia o lema de “cortar o inútil” do texto. 
c) As amadas eram ninfas, lembrando a mitologia grega e romana. 
d) Os poetas da época não se expressaram no gênero épico. 
e) Diversos poemas foram dedicados a reis e rainhas, e tinham um objetivo político.

07. - (Mackenzie) Apontar a alternativa correta: 

a) Tomás Antônio Gonzaga cultivou a poesia satírica em O Desertor. 
b) Na obra Cartas Chilenas, temos uma sátira contra a administração de Luís da Cunha Menezes. 
c) Nessa obra o autor se disfarça sob o nome de “Doroteu” 
d) Para maior disfarce, o autor de Cartas Chilenas faz passar a ação na cidade do Rio de Janeiro. 
e) Tomás Antônio Gonzaga tinha o pseudônimo de “Doroteu”.

08. - (Ffsc) Os autores árcades brasileiros apresentam uma obra divorciada das necessidades brasileiras, na segunda metade do século XVIII. Como processo de defesa à liderança do público, tais letrados criam: 

a) poemas de profundo subjetivismo; 
b) os contos regionais de mineração; 
c) a dialética; 
d) as academias; 
e) a literatura romântica.

09. (Cescea) “A poesia parece fenômeno mais vivo e autêntico (...) por ter brotado de experiências humanas palpitantes”. (Ele) “é dos raros poetas brasileiros, certamente o único entre os árcades, cuja vida amorosa importa para a compreensão da obra.” 
“O lírico ouvidor soltava os seus amores em liras apaixonadas, que tinham, naquele ambiente de Vila Rica, um sabor novo e raro.” 

Assim a crítica literária tem-se manifestado sobre o poeta: 

a) Cláudio Manuel da Costa 
b) Tomás Antônio Gonzaga 
c) Alvarenga Peixoto 
d) Gonçalves de Magalhães 
e) Basílio da Gama

10. (Fatec) "Voltaram à baila os deuses esquecidos, as ninfas esquivas, as náiades, as oréades e os pastores enamorados, as pastoras insensíveis e os rebanhos numerosos das bucólicas de Teócrito e Virgílio." 
(Ronald de Carvalho, PEQUENA HISTÓRIA DE LITERATURA BRASILEIRA) 

O trecho acima refere-se ao seguinte movimento literário: 

a) Romantismo. 
b) Barroco. 
c) Arcadismo. 
d) Parnasianismo. 
e) Naturalismo.

11. (ITA) Uma das afirmações abaixo é incorreta. Assinale-a:

a) O escritor árcade reaproveita os seres criados pela mitologia greco-romana, deuses e entidades pagãs. Mas esses mesmos deuses convivem com outros seres do mundo cristão.
b) A produção literária do Arcadismo brasileiro constitui-se sobretudo de poesia, que pode ser lírico-amorosa, épica e satírica.
c) O árcade recusa o jogo de palavras e as complicadas construções da linguagem barroca, preferindo a clareza, a ordem lógica na escrita.
d) O poema épico Caramuru, de Santa Rita Durão, tem como assunto o descobrimento da Bahia, levado a efeito por Diogo Álvares Correia, misto de missionários e colonos português.
e) A morte de Moema,índia que se deixa picar por uma serpente, como prova de fidelidade e amor ao índio Cacambo, é trecho mais conhecido da obra O Uruguai, de Basílio da Gama.

12. (FESP) Aponte a alternativa cujo conteúdo não se aplica ao Arcadismo.

a) Desenvolvimento do gênero épico, registrando o início da corrente indianista na poesia brasileira.

b) Presença da mitologia grega na poesia de alguns poetas desse período.
c) Propagação do gênero lírico em que os poetas assumem a postura de pastores e transformam a realidade num quadro idealizado.
d) Circulação de manuscritos anônimos de teor satírico e conteúdo político.
e) Penetração de tendência mística e religiosa, vinculada à expressão de ter ou não fé.

13. (UEL) Assinale a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas do trecho apresentado.

Simplificando a linguagem lírica de Cláudio Manuel da Costa, mas evitando igualmente a diluição dos valores poéticos no sentimentalismo, as ...... mais densas, dedicadas a ......, fizeram de ...... uma figura central do nosso Arcadismo.

a) crônicas - Marília - Dirceu
b) crônicas - Gonzaga - Dirceu
c) sátiras - Dirceu - Gonzaga
d) liras - Gonzaga - Dirceu
e) liras - Marília - Gonzaga

14. (MACKENZIE) Sobre o Arcadismo no Brasil, é incorreto afirmar que:

a) Cláudio Manuel da Costa, um de seus autores mais importantes, embora tenha assumido uma atitude pastoril, traz, em parte de sua obra poética, aspectos ligados à lírica camoniana.
b) em "Liras de Marília de Dirceu", Tomás Antônio Gonzaga não segue aspectos formais rígidos, como o soneto e a redondilha em todas as partes da obra.
c) nas "Cartas Chilenas", o autor satiriza Luís da Cunha Menezes por suas arbitrariedades como governador da capitania de Minas.
d) Basílio da Gama, em "O Uraguai", seguiu a rígida estrutura camoniana de "Os Lusíadas", usando versos decassílabos em oitava-rima.
e) "Caramuru" tem, como tema principal, o descobrimento da Bahia por Diogo Álvares Correia, apresentando, também, os rituais e as tradições indígenas.

15.  (ITA) Dadas as afirmações:

I) O Uruguai, poema épico que antecipa em várias direções o Romantismo, é motivado por dois propósitos indisfarçáveis: exaltação da política pombalina e antijesuitismo radical.

II) O (A) autor(a) do poema épico Vila Rica, no qual exalta os bandeirantes e narra a história da atual Ouro Preto, desde a sua fundação, cultivou a poesia bucólica, pastoril, na qual menciona a natureza como refúgio.

III) Em Marília de Dirceu, Marília é quase sempre um vocativo; embora tenha a estrutura de um diálogo, a obra é um monólogo – só Gonzaga fala, raciocina; constantemente cai em contradição quanto à sua postura de Spastor e sua realidade de burguês.

Está(ão) Correta(s):

a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas I e II
d) Apenas I e III
e) Todas

16. (UEL) 

"Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza."

Os versos anteriores constituem exemplo da

a) sátira de Gregório de Matos aos poderosos da Bahia.
b) lírica amorosa de Tomás Antonio Gonzaga.
c) paisagem bucólica idealizada na poesia de Claúdio Manuel da Costa.
d) da sátira de Tomás Antônio Gonzaga ao Governador de Minas.
e) ambivalência cultural na poesia de Cláudio Manuel da Costa.

17. (UFV) Considere as afirmações a respeito do Arcadismo brasileiro. Todas as alternativas estão corretas, EXCETO:

a) Foi o movimento literário que se desenvolveu no século XVIII, quando o "saber" assumiu uma importância fundamental.
b) Confirmou um dos princípios ideológicos do Iluminismo, por uma forte preocupação com a ciência e com o raciocínio.
c) Sob o ponto de vista literário reagiu contra o Barroco, retomando a simplicidade e o bucolismo dos clássicos.
d) Empreendeu uma minuciosa análise do personagem, revelando-nos claramente os traços de seu corpo e de sua alma.
e) Vivenciou uma expressiva transformação social, sendo fortemente marcado pelos ideais político-filosóficos do enciclopedismo francês.

18. (UFSM) Assinale a alternativa INCORRETA a respeito de Cláudio Manuel da Costa.

a) Além da produção lírica, escreveu um poema de caráter épico que se intitula "Vila Rica".
b) Sob o pseudônimo árcade de Glauceste Satúrnio, compôs uma poesia em que é marcante a imagem da pedra.
c) Compôs poemas marcados pela condição do pastor que procura a natureza como refúgio.
d) Cultiva a forma do soneto em que explora temas como a infelicidade amorosa.
e) Sua produção poética costuma ser dividida pela crítica em lírica, satírica e religiosa.

19. (UFRS) Assinale a afirmativa INCORRETA em relação à obra "O Uraguai", de Basílio da Gama.

a) O poema narra a expedição de Gomes Freire de Andrada, Governador do Rio de Janeiro, às missões jesuíticas espanholas da banda oriental do rio Uruguai.
b) "O Uraguai" segue os padrões estéticos dos poemas épicos da tradição ocidental, como a "Odisséia" a "Eneida" e "Os Lusíadas".
c) Basílio da Gama expressa uma visão européia em relação aos indígenas, acentuando seu caráter bárbaro, incapaz de sentimentos nobres e humanitários.
d) Nas figuras de Cacambo e Sepé Tiaraju está representando o povo autóctone que defende o solo natal.
e) Lindóia, única figura feminina do poema, morre de amor após o desaparecimento de seu amado Cacambo.

20. (UFSM) Autor de "Obras poéticas", apresenta, em suas composições, motivos árcades. Assinale a alternativa que identifica esse autor, associando, corretamente, seu nome à característica presente nessa obra.

a) Cláudio Manuel da Costa - desencanto e brevidade do amor
b) Basílio da Gama - preocupação com feito histórico
c) Tomás Antônio Gonzaga - celebração da natureza
d) Basílio da Gama - inspiração religiosa
e) Tomás Antônio Gonzaga - celebração da amada

21. (FGV) Assinale a alternativa que apresenta ERRO na correlação autor-obra-época, relativamente à literatura portuguesa.

a) Pe. Antônio Vieira - Sermão da Quarta-feira de Cinzas - Século XVII.
b) Gil Vicente - Auto da Barca do Inferno - Século XVI.
c) Manuel Maria Barbosa du Bocage - Nova Arcádia - Século XVIII.
d) Camilo Peçanha - Clepsidra - Século XIX/XX.
e) Almeida Garrett - Viagens na Minha Terra - Século XIX.

22. (VUNESP) Há no Arcadismo brasileiro uma obra satírica de forma epistolar que suscitou dúvidas de autoria durante mais de um século. Assinale abaixo a alternativa que apresente o nome correto dessa obra e seu autor mais provável: 

a) O Reino da estupidez e Francisco de Melo Franco 
b) Viola de Lereno e Domingos Caldas Barbosa 
c) O desertor e Manuel Inácio da Silva Alvarenga 
d) Cartas chilenas e Tomás Antônio Gonzaga 
e) Os Bruzundangas e Lima Barreto

23. (FATEC-SP) Sobre o Arcadismo brasileiro só não se pode afirmar que: 

a) tem suas fontes nos antigos grandes autores gregos e latinos, dos quais imita os motivos e formas. 
b) teve em Cláudio Manuel da Costa o representante que, de forma original, recusou a motivação bucólica e os modelos camonianos da lírica amorosa. 
c) nos legou os poemas de feição épica Caramuru (de Frei José de Santa Rita Durão) e O Uraguai ( de Basílio da Gama), no qual se reconhece qualidade literária destacada em relação ao primeiro. 
d) norteou, em termos dos valores estéticos básicos, a produção dos versos de Marília de Dirceu, obra que celebrizou Tomás Antônio Gonzaga e que destaca a originalidade de estilo e de tratamento local dos temas pelo autor. 
e) apresentou uma corrente de conotação ideológica, envolvida com as questões sociais do seu tempo, com a crítica aos abusos de poder da Coroa Portuguesa.

24. (UFPB) Na poesia arcádica ou neoclássica, NÃO se encontra 

a) a influência das idéias iluministas.
b) a valorização do campo em detrimento da cidade.
c) a ênfase na interpretação subjetiva da realidade.
d) o retorno aos ideais greco-latinos.
e) a adoção de pseudônimos pelos poetas, que se figuravam pastores.

25. (CFTCE) O novo mercado tende a desprezar o funcionário formado à moda antiga..." (ref. 31). Moda antiga nos reporta a processos rudimentares de trabalho e à vida campesina cujos registros são, mais propriamente, depreendidos da literatura:

a) árcade
b) informativa
c) quinhentista
d) barroca
e) seiscentista

26. (Unifesp)  Levando em consideração que, em sua produção literária, Gregório de Matos dedicou-se também à sátira irreverente, pode-se afirmar que os versos se marcam:

a) Pelo sentimentalismo, fruto da sintonia do eu lírico com a sociedade.  
b) Pela indiferença, decorrente da omissão do eu lírico com a sociedade.  
c) Pelo negativismo, pois o eu lírico condena a sociedade pelo viés da religião.  
d) Pela indignação, advinda de um ideal moralizante expresso pelo eu lírico.  
e) Pela ironia, já que o eu lírico supõe que todas as pessoas são desonestas.




Gabarito

01 - C
02 - C
03 - C
04 - D
05 - D
06 - D
07 - B
08 - D
09 - B
10 - C
11 - E
12 - E
13 - E
14 - D
15 - D
16 - E
17 - D
18 - E
19 - C
20 - A
21 - C
22 - D
23 - B
24 - C
25 - A
26 - D

Atividade de interpretação de texto para o 1º ano 20/02/2020

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