quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Exercícios de Português Níveis de Linguagem - Com Gabarito (As questões em negrito são dissertativas)


1) (FGV-2001)
Nos três primeiros quadrinhos, a linguagem utilizada é mais formal e, no último, mais informal.
Assinale a alternativa que traga, primeiro, uma marca da formalidade e, depois, uma marca da informalidade presentes nos quadrinhos.
a)Vilania; vosso.
b)Vós; você.
c)Estou; você.
d)Tenhais; segui.
e)Notícias; falem.

2)(UFSCar-2002) Texto 1 Até o fim
(Chico Buarque)
Quando eu nasci veio um anjo safado O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou Mas vou até o fim.

Texto 2
Poema de Sete Faces
(Carlos Drummond de Andrade) Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. (...)

O anjo é um elemento comum aos dois textos.
a)De que forma são tratados os anjos nos textos?
b)Nos versos de Chico Buarque, o querubim “decretou”; nos de Drummond, o anjo “disse”. Qual
a diferença desses verbos na caracterização do querubim e do anjo?

3)(Fuvest-2004) Capitulação Delivery
Até pra telepizza
É um exagero. Há quem negue?
Um povo com vergonha Da própria língua

Já está entregue.
(Luís Fernando Veríssimo)

a)O título dado pelo autor está adequado, tendo em vista o conteúdo do poema? Justifique sua resposta.
b)O exagero que o autor vê no emprego da palavra
“delivery” se aplicaria também a “telepizza”? Justifique sua resposta.

4)(UFSCar-2004)Precisamos de um novo
“software” para acessar o mundo. As soluções que serviam há 30 anos já não valem mais. Os jovens atuais não copiam nada, pelo contrário: são filhos da era pós-industrial e estão criando uma nova cultura. Os toques foram dados pelo psicanalista lacaniano Jorge Forbes, durante a palestra Édipo, adeus: o enfraquecimento do pai.
Há uma nova ordem social no mundo. Muitos pais, educadores, psicanalistas, pensadores, todos ainda apresentam velhas soluções para novos problemas, mas é o momento de observar as mudanças, de agir de acordo com elas. Forbes lembrou que, antigamente, o jovem reclamava por não ter liberdade de escolha. Hoje, ele tem essa liberdade e se sente completamente perdido. Isso leva, entre outras coisas, às drogas e à depressão.
O jovem moderno é diferente daquele da geração de 68, que levantava bandeiras e pregava planos de reforma da educação e da sociedade. A globalização provocou mudanças. Antes, as pessoas queriam pertencer a grandes corporações ou ter profissões reconhecidas. Não é mais uma honra ficar no mesmo emprego por mais de cinco anos e acabou essa história de “sujar a carteira”, termo usado para quem ficava pouco tempo num só trabalho. A globalização pulverizou os ideais e exige de cada pessoa uma escolha meio angustiante: será que realmente queremos o que desejamos? No lugar do papel contestador da geração 68, temos hoje uma geração jovem que exibe fracasso escolar, menosprezo e desinteresse pelo saber orientado. O jovem não vê razão em se formar; em ser doutor, bússola da geração dos seus pais. Vivemos uma vida que foi despadronizada. “Somos passageiros de um novo mundo”, acrescentou o psicanalista.(Adaptado de Janete Trevisan, Jornal do Cambuí.)

a)A que se refere a palavra toques, em Os toques foram dados pelo psicanalista lacaniano Jorge Forbes?
b)Construa uma frase com a palavra toque, no sentido empregado pela autora.

5)(UFSCar-2004) Texto idem ao 4
A autora utiliza alguns elementos da tecnologia para traduzir seu pensamento no texto.
a)Transcreva um trecho em que isso acontece.
b)Qual o sentido, no último parágrafo do texto, da frase
Vivemos uma vida que foi despadronizada?


6)(Fuvest-1994) "A princesa Diana já passou por poucas e boas. Tipo quando seu ex-marido Charles teve um love affair com lady Camille revelado para Deus e o mundo." (Folha de S. Paulo, 5/11/93)

No texto acima, há expressões que fogem ao padrão culto da língua escrita.
a)Identifique-as.
b)Reescreva-as conforme o padrão culto.

7)(Fatec-1995) "Ela insistiu:
-Me dá esse papel aí."
Na transposição da fala do personagem para o discurso indireto, a alternativa correta é:
a)Ela insistiu que desse aquele papel aí.
b)Ela insistiu em que me desse aquele papel ali.
c)Ela insistiu em que me desse aquele papel aí.
d)Ela insistiu por que lhe desse este papel aí.
e)Ela insistiu em que lhe desse aquele papel ali.

8)(Fuvest-2001) “As pessoas ficam zoando, falando que a gente não conseguiria entrar em mais nada, por isso
vamos prestar Letras”, diz a candidata ao vestibular. Entre os motivos que a ligaram à carreira estão o gosto por literatura e inglês, que estuda há oito anos.(Adaptado da Folha de S. Paulo, 22/10/00)

a)As aspas assinalam, no texto acima, a fala de uma pessoa entrevistada pelo jornal. Identifique duas marcas de coloquialidade presentes nessa fala.
b)No trecho que não está entre aspas ocorre um desvio em relação à norma culta. Reescreva o trecho, fazendo a correção necessária.

9)(Fuvest-2002) “O que dói nem é a frase (Quem paga seu salário sou eu), mas a postura arrogante. Você fala e o aluno nem presta atenção, como se você fosse uma
empregada.”(Adaptado de entrevista dada por uma professora. Folha de S. Paulo, 03/06/01)

a)A quem se refere o pronome você, tal como foi usado pela professora?
Esse uso é próprio de que variedade linguística?
b)No trecho como se você fosse uma empregada, fica pressuposto algum tipo de discriminação social? Justifique sua resposta.

10)(FGV-2001) A concisão é uma qualidade da comunicação. Transcreva as frases abaixo, mas elimine o que for redundante.
a)Compre dois sabonetes e ganhe grátis o terceiro.
b)O jogador encarou de frente o adversário.
c)O advogado é um elo de ligação entre o cliente e a Justiça.
d)Certos países do mundo vivem em constante conflito.
e)No momento não temos esse produto, mas vamos recebê-lo futuramente.

11)(Enem Cancelado-2009) A escrita é uma das formas de expressão que as pessoas utilizam para comunicar algo e tem várias finalidades: informar, entreter, convencer, divulgar, descrever. Assim, o conhecimento acerca das variedades linguísticas sociais, regionais e de registro torna-se necessário para que se use a língua nas mais diversas situações comunicativas.
Considerando as informações acima, imagine que você está à procura de um emprego e encontrou duas empresas que precisam de novos funcionários. Uma delas exige uma carta de solicitação de emprego. Ao redigi-la, você
a)fará uso da linguagem metafórica.
b)apresentará elementos não verbais.
c)utilizará o registro informal.
d)evidenciará a norma padrão.
e)fará uso de gírias.

 12) (ENEM-2006)
A linguagem
na ponta da língua tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras, sabe lá o que quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele e quem sabe, e vai desmatando
10 o amazonas de minha ignorância. Figuras de gramática, esquemáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me. 1Ja esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora, em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada do namoro com a priminha.
O português são dois; o outro, mistério.
Carlos Drummond de Andrade. Esquecer para lembrar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.

No poema, a referência a variedade padrão da língua está expressa no seguinte trecho:
a)“A linguagem / na ponta da língua” (v.1 e 2).
b)“A linguagem / na superfície estrelada de letras” (v.5 e 6).
c)“[a lingua] em que pedia para ir lá fora” (v.14).
d)“[a lingua] em que levava e dava pontapé” (v.15).
e)“[a língua] do namoro com a priminha” (v.17).


13)(Unicamp-1998) A transcrição que você vai ler a seguir foi retirada de uma aula de História Contemporânea ministrada no Rio de Janeiro no final da década de 70. Como se trata de um texto falado, é bastante entrecortado e repetitivo, características tidas como inapropriadas para a língua escrita. Leia o trecho como se você estivesse "ouvindo" a aula; em seguida,

a)responda com uma única frase: qual é o principal propósito da passagem transcrita?
b)elimine os traços de oralidade do texto e resuma a aula no máximo em 30 palavras.

14)(UFSCar-2000) A tribo se acabara, a família virara sombras, a maloca ruíra minada pelas saúvas e Macunaíma subira pro céu, porém ficara o aruaí do séquito daqueles tempos de dantes em que o herói fora o grande Macunaíma imperador. E só o papagaio no silêncio do Uraricoera preservava do esquecimento os casos e a fala desaparecida. Só o papagaio conservava no silêncio as frases e os feitos do herói.
Tudo ele contou pro homem e depois abriu asa rumo de Lisboa. E o homem sou eu, minha gente, e eu fiquei pra vos contar a história. Por isso que vim aqui. Me acocorei em riba destas folhas, catei meus carrapatos, ponteei na violinha e em toque rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói de nossa gente.
Tem mais não.
(Mário de Andrade: Macunaíma - o herói sem nenhum caráter. Edição crítica de Telê Porto Ancona Lopez. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos; São Paulo: Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia, 1978, p. 148.)

No texto, o narrador qualifica a sua linguagem como fala impura, ou seja, como linguagem mal tolerada pelos gramáticos do começo do século, principalmente por aqueles que defendiam o parnasianismo e o realismo acadêmico.
a)Destaque três expressões do segundo parágrafo que exemplificam a fala impura.
b)Explique por que essas expressões podem ser consideradas exemplos de fala impura e, em seguida, transforme-as em fala pura.

15)(Fuvest-1997) A única frase inteiramente de acordo com as normas gramaticais do padrão culto é:

a)A secretária pretende evitar que novos mandados de segurança ou liminares contra o decreto sejam expedidas.
b)O CONTRU interditou várias dependências do prédio, inclusive o Salão Azul, cujo o madeiramento do forro foi atacado por cupins.
c)O ministro da Agricultura da Inglaterra declarou que por hora não há motivo para sacrificar os animais.
d)A poucos dias da eleição, os candidatos enfrentam agora uma verdadeira maratona.
e)"Posso vencê-las, mesmo que usem drogas, pois não é isso que as tornarão invencíveis", declarou a nadadora.

16)(Fuvest-2001)
a) “Se eu não tivesse atento e olhado o rótulo, o paciente teria morrido”, declarou o médico. Reescreva a frase acima, corrigindo a impropriedade gramatical que nela ocorre.

b) A econologia, combinação de princípios da economia, sociologia e ecologia, é defendida por ambientalistas como maneira de se viabilizarem formas alternativas de desenvolvimento.
Reescreva a frase acima, transpondo-a para a voz ativa.

17)(Fuvest-1999) Amantes dos antigos bolachões penam não só para encontrar os discos, que ficam a cada dia mais raros. A dificuldade aparece também na hora de trocar a agulha, ou de levar o toca-discos para o conserto. (Jornal da Tarde, 22/10/98, p. 1C)

a)Tendo em vista que no texto acima falta paralelismo sintático, reescreva-o em um só período, mantendo o mesmo sentido e fazendo as alterações necessários para que o paralelismo se estabeleça.
b)Justifique as alterações efetuadas.

18)(ENEM-2007) Antigamente
Acontecia o indivíduo apanhar constipação; ficando perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a phtísica, feia era o gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, lombrigas (...)Carlos Drummond de Andrade. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar, p. 1.184.

O texto acima está escrito em linguagem de uma época passada. Observe uma outra versão, em linguagem atual.

Antigamente
Acontecia o indivíduo apanhar um resfriado; ficando mal, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à farmácia para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas fedorentas. Doença nefasta era a tuberculose, feia era a sífilis. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os meninos, vermes (...)

Comparando-se esses dois textos, verifica-se que, na segunda versão, houve mudanças relativas a
a)vocabulário.
b)construções sintáticas.
c)pontuação.
d)fonética.
e)regência verbal.

19)(Fuvest-2002) As aspas marcam o uso de uma palavra ou expressão de variedade lingüística diversa da que foi usada no restante da frase em:
a)Essa visão desemboca na busca ilimitada do lucro, na apologia do empresário privado como o “grande herói” contemporâneo.
b)Pude ver a obra de Machado de Assis de vários ângulos, sem participar de nenhuma visão “oficialesca”.
c)Nas recentes discussões sobre os “fundamentos” da economia brasileira, o governo deu ênfase ao equilíbrio fiscal.
d)O prêmio Darwin, que “homenageia” mortes estúpidas, foi instituído em 1993.
e)Em fazendas de Minas e Santa Catarina, quem aprecia o campo pode curtir o frio, ouvindo “causos” à beira da fogueira.

20)(IME-1996) AS CARIDADES ODIOSAS
Foi uma tarde de sensibilidade ou de suscetibilidade? Eu passava pela rua depressa, emaranhada nos meus pensamentos, como às vezes acontece. Foi quando meu vestido me reteve: alguma coisa enganchara na minha saia. Voltei-me e vi que se tratava de uma mão pequena e escura. Pertencia a uma menino a que a sujeira e o sangue interno davam um tom quente de pele. O menino estava de pé no degrau da grande confeitaria. Seus olhos, mais do que suas palavras meio engolidas, informavam-me de sua paciente aflição. Paciente demais. Percebi vagamente um pedido, antes de compreender o seu sentido concreto. Um pouco aturdida eu o olhava, ainda em dúvida se fora a mão da criança que me ceifara os pensamentos.
-Um doce, moça, compre um doce para mim.
Acordei finalmente. O que estivera eu pensando antes de encontrar o menino? O fato é que o pedido deste pareceu cumular uma lacuna, dar uma resposta que podia servir para qualquer pergunta, assim como uma grande chuva pode matar a sede de quem queria uns goles de água.
Sem olhar para os lados, por pudor talvez, sem querer espiar as mesas da confeitaria onde possivelmente algum conhecido tomava sorvete, entrei, fui ao balcão e disse com uma dureza que só Deus sabe explicar: um doce para o menino.
De que tinha eu medo? Eu não olhava a criança, queria que a cena, humilhante para mim terminasse logo.
Perguntei-lhe: que doce você...
Antes de terminar, o menino disse apontando depressa com o dedo: aquelezinho ali, com chocolate por cima. Por um instante perplexa, eu me recompus logo e ordenei, com aspereza, à caixeira que o servisse.
-Que outro doce você quer? perguntei ao menino escuro. Este, que mexendo as mãos e a boca ainda esperava com ansiedade pelo primeiro, interrompeu-se, olhou-me um instante e disse com delicadeza insuportável, mostrando os dentes: não precisa de outro não. Ele poupava a minha bondade.
-Precisa sim, cortei eu ofegante, empurrando-o para frente. O menino hesitou e disse: aquele amarelo de ovo. Recebeu um doce em cada mão, levantando as duas acima da cabeça, com medo talvez de apertá-los. Mesmo os doces estavam tão acima do menino escuro. E foi sem olhar para mim que ele, mais do que foi embora, fugiu. A caixeira olhava tudo:
-Afinal uma alma caridosa apareceu. Esse menino estava nesta porta há mais de uma hora, puxando todas as pessoas que passavam, mas ninguém quis dar.
Fui embora, com o rosto corada de vergonha. De vergonha mesmo? Era inútil querer voltar aos pensamentos anteriores. Eu estava cheia de um sentimento de amor, gratidão, revolta e vergonha. Mas, como se costuma dizer, o Sol parecia brilhar com mais força. Eu tivera a oportunidade de... E para isso fora necessário um menino magro e escuro... E para isso fora necessário que outros não lhe tivessem dado um doce.
E as pessoas que tomavam sorvete? Agora, o que eu queria saber com autocrueldade era o seguinte: temera que os outros me vissem ou que os outros não me vissem? O fato é que, quando atravessei a rua, o que teria sido piedade já se estrangulara sob outro sentimento. E, agora sozinha, meus pensamentos voltaram lentamente a ser os anteriores, só que inúteis.
"Ele poupava a minha bondade".

No texto. Que atitude do menino levou a narradora a essa constatação?


21)(Fatec-2002) AS COUSAS DO MUNDO
Neste mundo é mais rico o que mais rapa:
Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;
Com sua língua, ao nobre o vil decepa:
O velhaco maior sempre tem capa.
Mostra o patife da nobreza o mapa:
Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;
Quem menos falar pode, mais increpa:
Quem dinheiro tiver, pode ser Papa.

A flor baixa se inculca por tulipa;
Bengala hoje na mão, ontem garlopa,
Mais isento se mostra o que mais chupa.

Para a tropa do trapo vazo a tripa
E mais não digo, porque a Musa topa
Em apa, epa, ipa, opa, upa.
(Gregório de Matos Guerra, Seleção de Obras Poéticas)

Devido quer aos hábitos lingüísticos quer às preferências literárias de sua época, o autor vale-se de algumas palavras e expressões que poderiam ser “traduzidas” para uma forma contemporânea e mais corrente. Assinale a alternativa em que aparece o equivalente de sentido adequado ao contexto:
a)“[...] ao nobre o vil decepa”= o nobre corta o mal pela raiz.
b)“[...] é mais rico o que mais rapa” = é tanto mais rico aquele que rouba mais.
c)“Quem mais limpo se faz, tem mais carepa” = quem mais se limpa, mais perde cabelos.
d)“O velhaco maior sempre tem capa” = idosos têm mais necessidade de agasalho.
e)“A flor baixa se inculca por tulipa” = a flor rasteira teima em crescer mais alto.

22)(ENEM-2005) As dimensões continentais do Brasil são objeto de reflexões expressas em diferentes linguagens. Esse tema aparece no seguinte poema:
“(....)
Que importa que uns falem mole descansado Que os cariocas arranhem os erres na garganta
Que os capixabas e paroaras escancarem as vogais? Que tem se o quinhentos réis meridional
Vira cinco tostões do Rio pro Norte?
Junto formamos este assombro de misérias e grandezas, Brasil, nome de vegetal! (     )”
(Mário de Andrade. Poesias completas. 6. ed. São Paulo: Martins Editora, 1980.)
O texto poético ora reproduzido trata das diferenças brasileiras no âmbito
a)étnico e religioso.
b)lingüístico e econômico.
c)racial e folclórico.
d)histórico e geográfico.
e)literário e popular.

23)(ITA-2000) Assinale a opção em que a manchete de jornal está mais em acordo com os cânones da ‘‘objetividade jornalística’’:
a)O mestre do samba volta em grande forma O Estado de S. Paulo, 17/7/1999.)
b)O pior do sertão na festa dos 500 anos (O Estado de S. Paulo, 17/7/1999.)
c)Proteína direciona células no cérebro (Folha de S. Paulo, 24/7/1999.)
d)A farra dos juros saiu mais cara que a da casa própria (Folha de S. Paulo, 13/6/1999.)
e)Dono de telas ‘‘falsas’’ diz existir ‘‘armação’’ O Estado de S. Paulo, 21/7/1999.)

24)(UEPB-2006) Assinale o item que encerra linguagem exclusivamente padrão:
a)“No Brasil já existe uma alface que pode servir de vacina contra a leishmaniose, doença que contamina 12 milhões de pessoas por ano em todo o planeta.”
(Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05)
b)Xiiiiiii Acabei de enviar o e-mail pra todo mundo. E agora?
ESSA ERA JÁ ERA.
(Publicidade - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05)
c)A sua é escalar o Himalaia?
A sua é dropar Fernando de Noronha? A sua é o Terra.
(Publicidade - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05)
d)“Equador, do jornalista, romancista e tevê-man português Miguel Sousa Tavares, já vendeu mis exemplares.”
(Millôr - Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05)
e)“Quando eu disse que era para cortar os pulsos, eu tava falando da conta telefônica.”
(Veja, n. 20, ano 38, 18/05/05)

 25)(FGV-2004) Caetano Veloso acaba de gravar uma canção, do filme Lisbela e o Prisioneiro. Trata-se de Você não me ensinou a te esquecer. A propósito do título da canção,
pode-se dizer que:
a)A regra da uniformidade do tratamento é respeitada, e o estilo da frase revela a linguagem regional do autor.
b)O desrespeito à norma sempre revela falta de conhecimento do idioma; nesse caso não é diferente.
c)O correto seria dizer Você não me ensinou a lhe esquecer.
d)Não deveria ocorrer a preposição nessa frase, já que o verbo ensinar é transitivo direto.
eDesrespeita-se a regra da uniformidade de tratamento. Com isso, o estilo da frase acaba por aproximar- se do da fala.


26)(UFV-2005) Cair no vestibular é muito mais do que um escritor menos-que-perfeito pode aspirar na vida. Escritores menos-que-perfeitos, caso você não saiba, são aqueles que se negam a usar a forma sintética do mais- que-perfeito. Um escritor menos-que-perfeito jamais “fizera”, nunca “ouvira” e em hipótese nenhuma “falara”. E no Brasil, se você é um sujeito que “escrevera”, você é respeitado; mas, se você apenas “tinha escrito”, então você não é nada, e só cai no vestibular por engano. (FREIRE, Ricardo. Xongas. Época. São Paulo, 28 jun 2004.)

a)No texto, o autor distingue escritores menos-que- perfeitos de escritores mais-que-perfeitos. Por que o autor se define como um escritor menos-que-perfeito? Que justificativa o autor teria para optar por uma forma verbal coloquialmente mais simples?

b)“Cair no vestibular é muito mais do que um escritor menos-que-perfeito pode aspirar na vida.” Explique o emprego do termo aspirar no fragmento acima.

27)(Mack-2007) Certa vez, chamaram minha atenção para um erro de português no samba Comprimido. É a crônica de um sujeito que briga com a mulher. Ela dá uma dentada nele, que resolve deixar a marca para provar a agressão. Ganhou esse nome para enfatizar a idéia de que o indivíduo estava “pressionado”, a ponto de tomar um comprimido e morrer. Lá pelo fim do texto, há o erro: “Noite de samba/ Noite comum de novela/ Ele chegou/ Pedindo um copo d´água/ Pra tomar um comprimido/ Depois cambaleando/ Foi pro quarto/ E se deitou/ Era tarde demais/ Quando ela percebeu que ele se envenenou”. Então me deram um toque. Aí, tentei mudar. Nada encaixava. Um desespero. Aí decidi deixar assim, com erro mesmo. Nunca reclamaram.
Adaptado de entrevista de Paulinho da Viola

O texto permite afirmar, com correção, que
a)há um contraste entre o nível de linguagem do relato e o da canção; nesta, o autor usa de maior de informalidade.
b)a entrevista apresenta, como marca de oralidade, o uso de aí (linhas 10 e 11) para conectar partes da narrativa.
c)a letra de Comprimido apresenta diversos deslizes em relação à concordância.
d)a inversão da ordem comum nas frases que compõem os versos de Comprimido serve para criar suspense em relação ao desfecho da história.
e)o entrevistado relata o que lhe aconteceu certa vez dispondo os fatos em ordem cronológica, sem fazer uso de interrupções, explicações ou comentários.


28)(UEPB-2006) Com base nos textos da questão anterior, seria apropriado, portanto, afirmar:
a)Expressões como JÁ ERA, A SUA, MIS e TAVA são inadmissíveis em textos de divulgação.
b)Os meios de comunicação estão cada vez mais desprezando a linguagem correta, usando gírias e outros vícios de linguagem.
c)O uso de gírias pela mídia contribui para as deformações constantes que se observam na língua portuguesa.
d)Os usos da língua estão estreitamente ligados a sua função social.
e)Expressões como JÁ ERA, A SUA, MIS e TAVA provam o analfabetismo de nossa população.



30)(UFSC-2006) Dentre as proposições abaixo, algumas ferem a norma padrão. Assinale aquelas que não apresentam desvio gramatical.
01.Se todos houvessem seguido as normas, não haveria tantas reclamações.
02.O desrespeito à natureza é tanto que, naquele lugar, já não existem animais daquela espécie.
04. Havia apenas uma saída para o problema, mas outras poderiam haver caso analisássemos o problema com mais calma.
08.O desafio que me refiro implica em fazer escolhas.
16.Restabelecer-se-iam, de imediato, as ligações, se houvessem técnicos de plantão.
32.Hão de trazer o que me prometeram! Ora, se hão!
 A soma dos valores atribuídos à(s) proposição(ões) verdadeira(s) é igual a


31)(UFPB-2006) Em algumas narrativas da obra Oito contos de amor, de Lygia Fagundes Telles, a sondagem psicológica das personagens se realiza através do uso do fluxo de consciência, técnica narrativa que introduz inovações na prosa moderna. Identifique a(s) proposição(ões) verdadeira(s), relativa(s) ao uso dessa técnica:
01. As fronteiras entre passado e presente, realidade e imaginação são bem delimitadas.
02. Os acontecimentos aparecem em ordem cronológica e se passam apenas no plano da realidade.
04.Os momentos de vivência interior dos personagens são explorados, misturando-se realidade e fantasia.
08.Os fatos são apresentados em uma ordem linear, ocorrendo uma distinção entre presente e passado.
16.A sequência lógica dos acontecimentos se perde, permitindo o curso livre dos pensamentos dos personagens.
A soma dos valores atribuídos à(s) proposição(ões) verdadeira(s) é igual a






Gabarito






Tema de redação - Evasão universitária

Proposta de Redação

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Desafios para a diminuição dos índices de evasão universitária no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO I


Evasão universitária no Brasil: causas e possíveis soluções


De acordo com o último Censo da Educação Superior, realizado pelo Inep em 2017, o número de matrículas na Rede Federal – a maior rede pública em cursos de graduação do Brasil – mais do que dobrou em 10 anos: cresceu mais de 103%. Enquanto isso, a rede privada, que já tem três de cada quatro alunos de graduação no país, voltou a crescer 3% após uma pequena queda em 2016.

Por outro lado, a taxa de evasão universitária preocupa. Na rede pública, ela permanece relativamente estável nos últimos anos, mas alta: em torno de 24% para cursos presenciais e mais de 30% para ensino a distância, de acordo com dados da pesquisa “Evasão no Ensino Superior Brasileiro”, feita pelo Instituto Lobo em 2016.

Já nas instituições particulares, os números de desistência vêm crescendo. Segundo o "Panorama do Ensino Superior Privado do Brasil", realizado pela startup edtech, a evasão no setor privado aumentou 4% entre 2011 e 2016, indo de 19% do total de estudantes para 23%.

As causas para os altos índices, seja na rede pública, seja na privada, são várias: vontade de trocar de curso, falta de recursos e assistência, incapacidade de conciliar o estudo com o trabalho, entre outros. Saiba mais sobre a evasão universitária no Brasil, suas causas e possíveis soluções.

Falta de recursos e assistência


A crise econômica no Brasil e a inadimplência são prováveis responsáveis pelo crescimento da evasão universitária na rede privada, que detém 75% das matrículas em cursos de graduação. Muitos alunos sem bolsa ou com bolsas parciais precisam trabalhar para se manter em faculdades privadas, o que muitas vezes leva a desistências.

Mesmo na rede pública, a falta de assistência estudantil também torna difícil para estudantes de baixa renda familiar continuar a estudar. Já a falta de preparo para receber alunos especiais dificulta a inclusão social no ensino superior e pode levar à desistência desses estudantes.

No caso do ensino a distância, que tem uma média de idade mais elevada do que a modalidade presencial, a dificuldade de conciliar o estudo com o trabalho e a família também são prováveis causadores da crescente evasão universitária. O EaD não para de crescer no país, apresentando um aumento de cerca de 18% na sua participação no total de ingressantes em cursos de graduação entre 2007 e 2012. Ao mesmo tempo, é nessa modalidade que mais crescem as taxas de evasão, que, em algumas instituições, chegam a mais de 50%, segundo o Censo EAD.BR 2017.

Universia Brasil.  Disponível  em: <https://noticias.universia.com.br/educacao/noticia/2019/07/23/1165821/evasao-universitaria-brasil-causas-
possiveis-soluces.html>. Acesso em: 13 ago. 2019. (Adaptado). © Universia 2019.


TEXTO II




Quando nem bolsa integral basta para sonho da faculdade: ‘Será que vou sobreviver?’


Dados mais recentes do Ministério de Educação mostram que desde o início do ProUni até o primeiro semestre de 2017, mais de 115 mil bolsistas deixaram a universidade por evasão. Entre os estudantes negros, essa taxa retrata a realidade de 63 mil alunos (pretos e pardos), ou 54%. entre os estudantes brancos, essa taxa representa 48 mil alunos, ou 41%. A proporção de evasão é semelhante à divisão das vagas nas duas categorias – em 2018, dos 117 mil bolsistas, 71 mil eram pretos e pardos (61%) e 43 mil, brancos (37%).

"A dificuldade no acompanhamento de estudos e a financeira são alguns [motivos] que podem resultar na evasão, como também a ideia do complexo de impostor, que é o entendimento dessas dificuldades como algo individual e não fruto de uma realidade social", explica Dyane Brito Reis, professora e pesquisadora de Acesso e Permanência de Jovens das Comunidades Negras no Ensino Superior da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB).

BBC. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil- 49273096>. Acesso em: 13 ago. 2019. (Adaptado). Copyright © 2019 BBC. A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de outros sites.



TEXTO III







Simulado Unicamp - Prova da primeira fase de 2018


1. Na década de 1950, quando iniciava seu governo, Juscelino Kubitschek prometeu “50 anos em 5”. Na campanha do atual governo o slogan ficou assim: “O Brasil voltou, 20 anos em dois”. A ‘tradução’ não tinha como dar certo; era como comparar vinho com água. E mais: havia uma vírgula no meio do caminho. Na propaganda, apenas uma vírgula impede que a leitura, ao invés de ser positiva e associada ao progressismo de Juscelino, se transforme numa mensagem de retrocesso: o Brasil de fato ‘voltou’ muito nesses últimos dois anos; para trás.
(Adaptado de Lilia Schwarcz, Havia uma vírgula no meio do caminho. Nexo Jornal, 21/05/2018.)

Considerando o gênero propaganda institucional e o paralelo histórico traçado pela autora, é correto afirmar que o slogan do atual governo fracassou porque

a)        o uso da vírgula provocou uma leitura negativa do trecho que alude ao slogan da década de 1950.

b)       a mensagem projetada pelo slogan anterior era mais clara, direta, e não exigia o uso da vírgula.

c)        a alusão ao slogan anterior afasta o público jovem e provoca a perda de seu poder persuasivo.

d)       o duplo sentido do verbo “voltar” gerou uma  mensagem que se afasta daquela projetada pelo slogan anterior.



2.
Há dois tipos de palavras: as proparoxítonas e o resto.    As proparoxítonas são o ápice da cadeia alimentar do léxico.
As palavras mais pernósticas são sempre proparoxítonas. Para pronunciá-las, há que ter ânimo, falar com ímpeto - e, despóticas,  ainda  exigem  acento  na  sílaba   tônica!   Sob qualquer ângulo, a proparoxítona tem mais crédito.     É inequívoca a diferença entre o arruaceiro e o vândalo. Uma  coisa  é  estar  na   ponta   –   outra,   no   vértice.  Ser artesão não é nada, perto de ser artífice.
Legal ser eleito Papa, mas bom mesmo é ser Pontífice.

(Adaptado de Eduardo Affonso, “Há dois tipos de palavras: as proparoxítonas e o resto”. Disponível em www.facebook.com/eduardo22affonso/.)

Segundo o texto, as proparoxítonas são palavras que

a)        garantem sua pronúncia graças à exigência de uma sílaba tônica.

b)       conferem nobreza ao léxico da língua graças à facilidade de sua pronúncia.

c)        revelam mais prestígio em função de seu pouco uso e de sua dupla acentuação.

d)       exibem sempre sua prepotência, além de imporem a obrigatoriedade da acentuação.



3.

(Disponível em https://www.facebook.com/SeboItinerante/photos/. Acessado em 28/05/2018.)

“Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo do bom senso e do senso comum."

(Adaptado de “Franz Kafka, carta a Oscar Pollak, 1904.” Disponível em https://laboratoriode sensibilidades.wordpress.com. Acessado em 28/05/2018.)

Assinale o excerto que confirma os dois textos anteriores.

a)        A leitura é, fundamentalmente, processo político. Aqueles que formam leitores – professores, bibliotecários – desempenham um papel político. (Marisa Lajolo)

b)       Pelo que sabemos, quando há um esforço real de igualitarização, há aumento sensível do hábito de leitura, e portanto difusão crescente das obras. (Antonio Candido)

c)        Ler é abrir janelas, construir pontes que ligam o que somos com o que tantos outros imaginaram, pensaram, escreveram; ler é fazer-nos expandidos. (Gilberto Gil)
d)        A leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, por que não sonhar os meus próprios sonhos?(Fernando Pessoa)



4.
Alguns pesquisadores falam sobre a necessidade de um “letramento racial”, para “reeducar o indivíduo em uma perspectiva antirracista”, baseado em fundamentos como o reconhecimento de privilégios, do racismo como um problema social atual, não apenas legado histórico, e a capacidade de interpretar as práticas racializadas. Ouvir é sempre a primeira orientação dada por qualquer especialista ou ativista: uma escuta atenta, sincera e empática. Luciana Alves, educadora da Unifesp, afirma que "Uma das principais coisas é atenção à linguagem. A gente tem uma linguagem sexista, racista, homofóbica, que passa pelas piadas e pelo uso de termos que a gente já naturalizou. ‘A coisa tá preta’, ‘denegrir’, ‘serviço de preto’... Só o fato de você prestar atenção na linguagem já anuncia uma postura de reconstrução. Se o outro diz que tem uma carga negativa e ofensiva, acredite”.

(Adaptado de Gente branca: o que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas. UOL, 21/05/2018)


Segundo Luciana Alves, para combater o racismo e mudar de postura em relação a ele, é fundamental

a)        ouvir com atenção os discursos e orientações de especialistas e ativistas.

b)       reconhecer expressões racistas existentes em práticas naturalizadas.

c)        passar por um “letramento racial” que dispense o legado histórico.

d)       prestar atenção às práticas históricas e às orientações da educadora.



5.
Leia o texto a seguir, publicado no Instagram e em um livro do @akapoeta João Doederlein.
(João Doederlein, O livro dos ressignificados. São Paulo: Paralela, 2017, p. 17.)

A ressignificação de estrela ocorre porque o verbete apresenta
a)        diversas acepções dessa palavra de modo amplo, literal e descritivo.

b)       cinco definições da palavra relativas à realidade e uma definição figurada.

c)        vários contextos de uso que evidenciam o caráter expositivo do gênero verbete.

d)       uma entrada formal de dicionário e acepções que expressam visões particulares.



6.
Uma página do Facebook faz humor com montagens que combinam capas de livros já publicados e memes que circulam nas redes sociais. Uma dessas postagens envolve a obra de Henry Thoreau, para quem a desobediência civil é uma forma de protesto legítima contra leis ou atos governamentais considerados injustos pelo cidadão e que ponham em risco a democracia.

(Fonte: Página de Facebook Obras Literárias com capas de memes genuinamente brasileiros.)

O efeito de humor aqui se deve ao fato de que a montagem

a)        refuta as razões para a desobediência civil com base na desculpa apresentada pela criança.

b)       antecipa   uma    possível   avaliação   negativa   da desobediência sustentada pelo livro.

c)        equipara as razões da desobediência civil à justificativa apresentada pela criança.

d)       contesta   a    legitimidade   da   desobediência  civil defendida por Thoreau.



7.
Para driblar a censura imposta pela ditadura militar, compositores de música popular brasileira (MPB) valiam-se do que Gilberto Vasconcelos chamou de “linguagem da fresta”, expressão inspirada na canção “Festa imodesta”, de Caetano Veloso.

(...)
Numa festa imodesta como esta Vamos homenagear
Todo aquele que nos empresta sua testa Construindo coisas pra se cantar
Tudo aquilo que o malandro pronuncia E que o otário silencia
Toda festa que se dá ou não se dá Passa pela fresta da cesta e resta a vida.

Acima do coração que sofre com razão A razão que volta do coração
E acima da razão a rima
E acima da rima a nota da canção Bemol natural sustenida no ar
Viva aquele que se presta a esta ocupação Salve o compositor popular
(Gilberto de Vasconcelos, Música popular: de olho na fresta. Rio de Janeiro: Graal, 1977.)

É correto afirmar que, na canção, essa “linguagem da fresta” transparece

a)        na contradição entre “festa” e “fresta”, que funciona como crítica ao malandro.

b)       na repetição de palavras com pronúncia semelhante para louvar a MPB.

c)        na referência à “fresta” como forma de o compositor se pronunciar.

d)       na incoerência da rima entre “festa” e “imodesta” para prestigiar o compositor.



8.
“Um cego me levou ao pior de mim mesma, pensou espantada. Sentia-se banida porque nenhum pobre beberia água nas suas mãos ardentes. Ah! era mais fácil ser um santo que uma pessoa! Por Deus, pois não fora verdadeira a piedade que sondara no seu coração as águas mais profundas? Mas era uma piedade de leão.”
(Clarice Lispector, “Amor”, em Laços de família. 20ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1990, p. 39.)


Ao caracterizar a personagem Ana, a expressão “piedade de leão” reúne valores opostos, remetendo simultaneamente à compaixão e à ferocidade. É correto afirmar que, no conto “Amor”, essa formulação

a)        revela um embate de natureza social, já que a pobreza do cego causa náuseas na personagem.

b)       expressa o dilema cristão da alma pecadora diante de sua incapacidade de fazer o bem.

c)        indica um conflito psicológico, uma vez que a personagem não se sente capaz de amar.

d)       alude a um contraste moral e existencial que provoca na personagem um sentimento de angústia.



9.
“...Nas ruas e casas comerciais já se vê as faixas indicando os nomes dos futuros deputados. Alguns nomes já são conhecidos. São reincidentes que já foram preteridos nas urnas. Mas o povo não está interessado nas eleições, que é o cavalo de Troia que aparece de quatro em quatro anos.”
(Carolina Maria de Jesus, Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2014, p. 43.)
O trecho anterior faz parte das considerações políticas que aparecem repetidamente em Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus. Considerando o conjunto dessas observações, indique a alternativa que resume de modo adequado a posição da autora sobre a lógica política das eleições.

a)        Por meio das eleições, políticos de determinados partidos acabam se perpetuando no exercício do poder.

b)       Os políticos se aproximam do povo e, depois das eleições, se esquecem dos compromissos assumidos.

c)        Os políticos preteridos são aqueles que acabam vencendo as eleições, por força de sua persistência.

d)       Graças ao desinteresse do povo, os políticos se apropriam do Estado, contrariando a própria democracia.



10.
(...)
Eu tenho uma ideia.
Eu não tenho a menor ideia.
Uma frase em cada linha. Um golpe de exercício. Memórias de Copacabana. Santa Clara às três da tarde. Autobiografia. Não, biografia.
Mulher.
Papai Noel e os marcianos. Billy the Kid versus Drácula. Drácula versus Billy the Kid. Muito sentimental.
Agora pouco sentimental.
Pensa no seu amor de hoje que sempre dura menos que o
seu]
amor de ontem.
Gertrude: estas são ideias bem comuns. Apresenta a jazz-band.
Não, toca blues com ela. Esta é a minha vida.
Atravessa a ponte. (...)
(Ana Cristina Cesar, A teus pés. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 9.)
Esse trecho do poema de abertura de A teus pés, de Ana Cristina Cesar,

a)        expressa nostalgia do passado, visto que mobiliza referências à cultura pop dos anos 1970.

b)       requisita a participação do leitor, já que as referências biográficas são fragmentárias.

c)        exclui a dimensão biográfica, pois se refere a personagens imaginários e de ficção.

d)       tematiza a descrença na poesia, uma vez que a poeta se contradiz continuamente.






Gabarito
https://mauromarcelatividadesonline.blogspot.com/2019/10/gabarito-questoes-unicamp.html

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Guimarães Rosa - Fita verde no cabelo


FITA VERDE NO CABELO - Nova velha estória de João Guimarães Rosa

Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos com juízo, suficientemente, menos meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.
Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.
Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia: –“Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou”. A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são. E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa. Vinha sobejamente.
Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu: — “Quem é?”.
                –“Sou eu…” — e Fita-Verde descansou a voz. — “Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou”.
Vai, a avó, difícil, disse: — “Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe”. Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.
                A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: — “Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo”. Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:
                — “Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!”
                — “É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta…” — a avó murmurou.
— “Vovozinha, mas que lábios, ai, tão roxeados!”
— “É porque não não vou nunca mais poder te beijar, minha neta…” — a avó suspirou.
                — “Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?”
                — “É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha…” — a avó ainda gemeu.
                Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.
                Gritou: — “Vovozinha, eu tenho medo do Lobo…”
Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

1. Guimarães Rosa é conhecido por criar neologismos (palavras inventadas) cite os neologismos presentes neste conto e dê o significado de acordo com o contexto.
2. O conto reafirma ou transforma o conto original? De que forma?
3. Descreva o que significam na história:
a) a fita verde no cabelo
b) o pote e o cesto
c) o caminho encurtoso
d) os lenhadores
e) a vovozinha
f) o lobo
4. O conto recria a tradicional história de Chapeuzinho Vermelho, citando suas marcas mais conhecidas e refazendo seu sentido original. Distanciando-se, ainda, da história conhecida, o narrador faz questão de assinalar o caráter ficcional da narrativa.
Esse procedimento, de apontar a própria narrativa como produto da ficção, explicita-se na seguinte passagem:
a) "Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia."
b) "Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo."
c) "A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são."
d) "Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:"
5. "Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço."
Pela leitura global do conto, é possível afirmar que essa passagem implica uma mudança para a personagem.
Essa mudança pode ser caracterizada como:
a) encontro com o passado e superação do medo do desconhecido
b) ruptura com um mundo de fantasia e aproximação com a realidade
c) supressão do ponto de vista infantil e afirmação de uma nova perspectiva
d) alteração da antiga ordem familiar e conhecimento do fenômeno da morte

Atividade de interpretação de texto para o 1º ano 20/02/2020

Leia: Os diamantes Um casal de índios vivia, juntamente com sua tribo, à beira de um rio da região Centro-Oeste. Ele, um guerreiro pod...